Bezerro a R$2.000/cabeça fecha a conta?

Por em 8 de junho de 2015

Olá, tudo bem?

Tive uma conversa muito interessante sobre o mercado de reposição, preços do bezerro e ciclo de preços. Além do mercado em si, o que gerou essa discussão em alto nível foi o leilão Mega Cruza, realizado no MT, que alcançou preços recordes, como bezerros de R$ 2.000/cabeça.

Uma das primeiras perguntas é se com esse preço a conta fecha, para quem recria/engorda. A maioria acredita que não, mas convido você leitor, a me responder, com sua visão. A conta é relativamente simples: preço/@ final, peso final, e custo da recria/engorda. Se você tiver alguma consideração adicional, por favor comente.

Eu gosto demais de perguntar isso por email pois eu sempre aprendo muito com você, que me responde sua visão. Muitas vezes, eu não tinha percebido ainda meus pontos cegos e fico com a percepção muito mais completa. Desde já muito obrigado pela sua participação.

Mas tem um outro ponto aí, que eu gostaria de ressaltar.

Eu acredito que um dos problemas é que nos acostumamos com o bezerro barato… Nos últimos 20 anos, o bezerro sempre esteve muito barato… O ágio médio era absurdamente baixo se você analisar só a parte econômica.

Isso deixou muita gente mal acostumada… Se o deságio que equilibra os dois negócios (cria e recria/engorda) é de 40%, toda vez que você comprar um bezerro com 20% de ágio, se prepare para comprar amanhã com 60%… Se comprar com 10% de ágio, se prepare para comprar com 70% de ágio amanhã…

A explicação desse ágio tão baixo no passado, foi o Maurício Palma Nogueira que cantou a bola pela primeira vez: o bezerro era subproduto de um outro negócio – valorização imobiliária de fazendas ainda não abertas.

Outro ponto interessante, do Rodrigo Albuquerque, é que o verdadeiro remédio contra o bezerro caro é produtividade. Concordo demais com esse ponto. O aumento do preço do bezerro aumenta a necessidade de tecnificação e eficiência.

Vale lembrar também que as habilidades de quem cria tendem a ser diferentes de quem engorda. Mudar de atividade é demorado e o pior possível é você entrar/sair na hora errada, lembrando que a pecuária é um negócio de ciclo longo… Se você sai da cria porque o preço está ruim (como bastante gente fez no passado recente), tem grandes chances de sair da cria vendendo bezerro barato, e entrar na recria-engorda comprando bezerro caro

Como disse o Sergio Morgulis: entram na alta e saem na baixa, depois reclamam que a pecuária não dá dinheiro.

E por último, queria frisar com destaque uma observação muito pertinente do Rogério Goulart: estamos falando de bezerro caro, ágio… Cuidado. É típico extrapolar o presente para o futuro, que o ágio do bezerro irá permanecer alto para sempre. Ágio no bezerro vai e volta. É muito fácil se deixar levar pelo momento. Quanto mais lucro, mais investimento, tal qual está acontecendo agora.

O remédio para preços altos do bezerro, são os altos preços do bezerro. Ou seja, quanto maior o preço, maior o investimento em cria, mais tecnologia, mais produção, mais oferta, e com o tempo, re-acomodação dos preços do bezerro.

Muito obrigado pela sua participação. Um grande abraço, Miguel

PS: Você quer fazer a diferença na pecuária e deixar um legado que você se orgulhe daqui 10, 20 anos? Se você acredita no potencial das pessoas e da pecuária brasileira, esse CONVITE é para você.

PS2: Já assisttiu o vídeo do AgroTalento, com uma dica de produtividade: O que é ser produtivo de verdade? [Vídeo]

Miguel Cavalcanti

BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.

AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

47 Comments

  1. EDMUR DIVANEI BERTOLO

    08/06/2015 at 08:14

    Depende do Bezerro, acredito que um produto com boa genética, precocidade e bom manejo fecha a conta. Considerando um bezerro com desmama de 280 kg, chegando ao acabamento em 20 mese com 22/23@ e rendimento de carcaça por vota de 56%. AGORA É SÓ FAZER A CONTA;

    • Tomás Gazola

      08/06/2015 at 11:19

      No caso do Paraná se paga! Valor da @ hoje paga ao produtor R$154,00

      Desmama (7 meses) (7,5@) = 266,66 @/paga. Custo=2000,00
      Recria (10 meses) (6 @) = 45,00 @/Prod. Custo= 270,00
      Engorda (4 meses) (5,8 @) = 100,00 @/Prod. Custo= 580,00

      Final =21 meses 19,30 @ = 147,66 @/Prod. Curto=2850,00

  2. Cadu Ribeiro do Valle

    08/06/2015 at 08:25

    Prezado Miguel
    Quanto ao preço caro do bezerro,a observaçao é que o mercado está pagando uma conta do passado ao criador.pois nao existe corrente mais forte do que seu elo mais fraco,e o criador tem sido o elo mais fraco da cadeia pecuária,assim chegou o momento em que o criador terá que se capitalizar para inveswtimentos em melhorias genéticas e de pastagens,contribuindo de certa forma para a eliminaçao da fase recria,e tambem do estreitamento do ciclo de alta e baixa do boi .
    Abs Cadu

  3. LUIS AUGUSTO CIRELI ZAMPIERI

    08/06/2015 at 08:28

    No meu ponto de vista o que esta acontecendo e que com a entrada da cana, houve uma queda nas matrizes com isso diminui a produção do bezerro, com um aumento na procura de boi para confinamento, o recriador, cresce os olhos e sai a procura desenfreada do bezerro, com isso inflaciona o mercado, hoje vc procura boi de 18 a 20 meses não sai por menos de 1900 a 2000, é logico que a conta não vai fechar, quem vai ficar com o prejuizo vai ser o recriador, pois o que engorda ou seja acaba o boi para por no frigorífico vai fazer as contas e não vais comprar boi magro caro, e o que ja esta acontecendo ficando assim o recriador com o prejuizo, hoje compensa vender o bezerro de 5 a 7 meses do que segurar e vende-lo com 9 a 10 meses

    • Gabriel Cury

      11/06/2015 at 14:40

      Boa tarde Miguel e amigos:
      No meu ver, um bezerro de R$2.000,00 para dar lucro, tem que se ter uma genetica diferenciada, se ter muita eficiencia na recria/engorda, com baixo custo e otimizacao na producao, e o mais importante, esperar abate-lo em uma arroba de no minimo R$158,00 a 160 reais no minimo/@.
      Abco a todos

  4. antonio valdir ubeda lamera

    08/06/2015 at 08:38

    Miguel, bom dia !

    A meu ver, os altos preços de reposição tem gerado diminuição no ciclo de compra/engorda (no curso do tempo a oferta de gado gordo diminuirá). Isto porque o Fazendeiro tem diminuído as vendas de gado gordo, só o fazendo para manter o giro/pagar suas contas e procurando dar umas arrobas a mais ao seu gado.

    Talvez, o caminho será o Fazendeiro não depender exclusivamente de compra de reposição e procurar agregar ao seu negócio a cria para, com isso, gerar reposições e depender menos da compra de terceiros.

    Eu tenho uma propriedade com 150 hectares em Lucianópolis-SP, região de Bauru, e tenho feito isso. Tenho 90 vacas de cria e dois lotes de fêmeas: um em crescimento (desmamas) e o outro de engorda. Os bezerros machos, eu troco com fêmeas e agrego essas fêmeas àquelas que produzo no meu plantel. Com isso diminuí a dependência de compras de terceiros.
    É o que estou fazendo.
    Abraço e ótima semana !
    Valdir Lamera

    PS.- Leio todos os dias o seu artigo divulgado pela Internet.

  5. Newton

    08/06/2015 at 08:44

    Bezerro de 2000,00 o custo da @ será de 150,00

  6. Leonardo de Almeida Braga

    08/06/2015 at 08:45

    O preço do bezerro/reposição é reflexo de vários pontos que vem ocorrendo nos últimos anos no cenário no agronegócio no Brasil:
    A- Ocupação das terras da pecuária pela agricultura em função dos melhores resultados da agricultura, terras estas na sua grande parte destinadas a cria;
    B- A atividade de cria pouco atrativa em função do baixo valor do bezerro no passado recente;
    C- Baixa produtividade na atividade pecuária de cria em comparação recria e engorda.
    D- Aumento do desfrute;
    E- Aumento das exportações e consumo.
    Poderia enumerar mais outros tantos pontos, mas vou parar por aqui. O que vivemos na verdade é uma mudança significativa no perfil de exploração da pecuária de corte no país. Vamos ter que encurtar o ciclo do boi, intensificar mais a atividade para obtemos melhores resultados. Bezerro barato esquece, não devemos ter mais.

  7. Haroldo

    08/06/2015 at 08:50

    Bom dia !
    Fecha a conta para quem tem comida disponível com custo baixo, escala e diversificação de produção, não paga juros, é muito eficiente.
    E se tem dinheiro para comprar; pode ter certeza provavelmente não é bobo…
    Haroldo

  8. Natalino C Sobrinho

    08/06/2015 at 08:50

    Quem esta comprando bezerro de dois mil reais são produtores de grãos, e o kg do concentrado sai pra eles menos de 0,32 reais/kg e estão abatendo animais próximo de 25@.Recria a pasto com concentrado e 2,2% do peso vivo no confinamento a pasto.

  9. FLÁVIO MAZZARO

    08/06/2015 at 09:06

    No meu caso que faço cria e recria a pasto, utilizando boas pastagens e sais proteinados/energéticos, além de ração nos últimos 60 dias, minha conta apenas empata. Compro o bezerro com 200 kg, vendo-o 600 dias depois com 500 kg, ou seja, 17,67@ x 147 : 2.597,50. Considerando que esse animal me dá um custo de R$ 1,00/dia(todo custeio, inclusive correção de solo e adubação). O exemplo que estou dando, é para um animal dá raça Nelore. Assim, comprar bezerro por 2 mil, não é viável.

  10. francisco abrao

    08/06/2015 at 09:36

    bom dia!miguel,o bom da pecuária è que cada um faz uma conta,o pecuarista que compra um bezerro a 2000,00,com certeza ele esta acreditando na alta expressiva do boi gordo pra outubro,novembro.se o boi for para 170,00@ ele vai vender o bezerro gordo(18@),$ 3,100.00,ele paga 600,00 de comida e sobra 400,00,que num prazo de 110 dias `e um bom lucro.eu particularmente não acredito em alta exagerada para este ano,mas como vemos ainda tem gente acreditando.abco.

  11. Raul Amaral Campos

    08/06/2015 at 09:41

    Bom dia Miguel,

    Não sou de falar muito e não sou mineiro, mas o que tenho visto nestes preços EM LEILÕES parece ser festa, pois o envernista gosta de festa e provocações e pequenos lotes são pulverizados em lotes maiores comprados diretamente nas fazendas ai não pesa os altissimos os preços pagos em leilão, segundo caso são os agricultores que estão entrando na pecuaria sem muito conhecimento, fazendo integração ou confinamento, porque realmente não tem conta que feche com o bezerro a R$ 2.000,00 no MT.

    Raul Amaral
    Fazendas Reunidas Itapaje
    Rondonopolis – MT

  12. José Manuel de Mesquita

    08/06/2015 at 09:43

    Prezado Miguel,

    O artigo escrito aqui mesmo no BeefPoint em 2010, hoje mais atual do que na data em que foi postado.

    Afinal, quanto custa a manutenção de uma matriz por 16m + a manutenção do bezerro, + semem / touro, mortes etc…

    Agora, todos se movimentam para a atividade de cria, daqui há 3 ou 4 anos o excesso de bezerros fará com que os preços despenquem novamente… Falta cooperação entre quem cria, quem recria e quem engorda.

    Sistema capitalista predador, cada um prefere a seu tempo maximizar os lucros, não se importando em momento algum com a perenidade da operação. Difícil sair deste círculo vicioso.

    http://sites.beefpoint.com.br/jmm/o-futuro-de-quem-tem-o-seu-negocio-alicercado-em-compra-de-bezerros/

    • Plinio Neto

      08/06/2015 at 10:22

      José o mercado é assim mesmo, se existe lucro, todos o disputam, o fornecedor de insumos x pecuarista, invernista x criador, frigorífico x invernista, varejo x atacadista, empregado x patrão, ou seja, se existe um lucro excedente em alguma fase da cadeia todos o disputam. Não só na pecuária, mas em tudo… Esse é o capitalismo, a guerra pelo maior lucro.

  13. Gustavo André Gimenes

    08/06/2015 at 09:52

    Saudações.
    Pode até fechar a conta, desde que o preço gasto na dieta desses animais não ultrapasse os 20% do valor deste.

  14. Afonso Henrique Lagoeiro Dutra

    08/06/2015 at 09:54

    Caro Miguel

    A muito que falo que o invernista esta mal acostumado com a conta de 3X1, ou as vezes mais, o produtor de bezerros como o meu caso cada vez mais sufocado, pois o investimento em pasto, genetica e sanidade cada vez maior custa caro.Agora existe bezerros e bezerros um filho de touro com genetica e vaca de boa carcaça acridito que a conta fecha, mas filhos de touros e vacas digamos meia boca ai sim pode ficar dificil

  15. Rodrigo Cade

    08/06/2015 at 09:57

    Como criador, lembro a todos que até 2008, a atividade foi massacrada, mas como abordado no artigo, não podemos ou devemos mudar a atividade pelo momento que se passa. As relações de troca de 3, 2,5 perduraram por muitos anos fato que sempre foi vantajoso a recria. Mas o com o aumento de exportações, diminuição de áreas de pastagens essa relação de 2,5 por exemplo dificilmente voltará. O criador aprendeu a engordar suas bezerras e vendê-las com 11@. A fazenda de cria difere e muito da recria. A meu ver o invernista tenderá a ter suas vacas para produzir um estoque regulador e diminuir esse ágio. Aqui no Pará com boi de 128 reais a relação de troca é 1,75 hoje

  16. verley loyola

    08/06/2015 at 10:05

    bezerro caro , boi caro , pecuarista satisfeito esta e a conclusao.

  17. ALTAIR

    08/06/2015 at 10:06

    Complementando o raciocínio do Maurício Palma. O bezerro ainda é um subproduto no ponto de vista de alguns agricultores, “eu disse agricultores”, que hoje estão produzindo grandes quantidades de soja, algodão, milho e etc… mas mesmas áreas citadas pelo Maurício, áreas essas que alcançaram valores mais que o esperado.
    Essa mesma área que tinha o bezerro como subproduto, hoje tem o resíduo das lavouras como subproduto, que nutri o subproduto do passado, que para alguns o subproduto do presente, mesmo com esse ágio.
    Quanto as compras efetivadas com esse ágio, tem mais emoção no negócio que a razão.

  18. Douglas Schmidt

    08/06/2015 at 10:08

    Bom dia a todos,
    O mercado bovino atual está desregulado = demanda alta e oferta baixa,
    com a alta dos últimos anos o pecuarista acabou vendendo mais que comprando, com receio que o preço fosse baixar e perdesse dinheiro, com isso foram vendidas também as matrizes,
    agora o mercado precisa se reestruturar,
    -novos pecuaristas largando a soja e milho
    -pecuaristas investindo em confinamento
    -pecuaristas investindo em aumento de pasto,
    -investimento em genética, além de outros,
    é claro que o bezerro não irá se pagar,
    mas as expectativas comprando nesse preço, é que na hora da venda o preço seja mais valorizado,
    os preços em curto prazo, talvez sigam os mesmos, mas a longo prazo é a velha lei que funciona – OFERTA X DEMANDA,
    porque ninguém vai continuar comprando para “empatar”,
    Abraços
    Douglas – MARAVILHA – SC

  19. Plinio Neto

    08/06/2015 at 10:12

    Bom dia Miguel,

    Na verdade tudo vai depender do custo de produção e, como você já disse, da produtividade. Abaixo apresento o meu custo de produção e ganho, são reais e atuais, faço engorda somente a pasto, ainda não confino.

    Categoria: Macho de 8 a 10 m
    Peso de entrada: 280 kg
    Valor Pago: R$ 2.000,00 (substitui pelo teu valor de compra)
    Valor da @ adquirida: R$ 214,28

    Custeio cab/mês: R$ 58,75 (14-15)
    GMD observado: 0,904 kg/dia (14-15)
    Tempo de permanência: 320 dias
    Custeio Total por cabeça no período: R$ 630,00
    Outras despesas: R$ 58,00
    Custo da @ produzida: R$ 72,00

    DESEMBOLSO TOTAL POR CABEÇA: R$ 2688,00
    Custo Total da @ comercializada: R$ 133,40

    Peso Médio de Saída: 568 kg (média cruzamentos 14-15)
    Rendimento de carcaça: 53,2% (14-15)
    Peso em @: 20,15
    Valor da @ em abril/16: R$ 160,00 + R$ 4,00 (ERAS+Hilton) + R$ 4,75 (Incentivo Precoce Seprotur MS)
    Faturamento: R$ 3.400,31

    Resultado da Operação: R$ 712,31

    Ótimo negócio, posso pagar R$ 2.000,00 no bezerro sim, agora experimenta refazer essa conta com o GMD de 600 g/dia, aumentar em 10% o custo ou tirar os incentivos. Tudo está relacionado a eficiência, do início ao fim. No momento da aquisição do animal pago o valor de mercado, se não fico sem repor nada, depois o que faço com ele é que vai ditar se tenho lucro ou prejuízo, tenho que ser muito eficiente na engorda, na comercialização e nos investimentos na fazenda.

    Acho que estamos passando por um momento da pecuária em que os menos produtivos vão sofrer muito, mas quem faz um trabalho profissionalizado não vai nem sentir o momento de recessão que o Brasil Industrial vem passando…

    Forte Abraço Miguel!
    Parabéns pelo belo trabalho que vem desenvolvendo.

    Plinio Coelho
    Nova Andradina/MS

    • Guilherme Ramm

      08/06/2015 at 15:06

      Boa tarde amigo eu concordo quase totalmente com suas colocações só penso que nessa nova pecuária os dois extremos tecnológicos vão ser rentáveis e quem estiver pelo meio do caminho vai ter problemas..

    • Paulo S P Ribeiro

      08/06/2015 at 15:28

      Parabéns Plínio, conta exata. Só tem que produzir comida e já ter estrutura.

    • Lourival Gomes de Oliveira

      09/06/2015 at 13:21

      Concordo com seu ponto de vista. Mas tem ser bem profissional pra encaixa ou melhor fechar as contas.

    • Luiz Pelegrini

      10/06/2015 at 11:46

      Plinio, muito bom seu posicionamento.

    • Reginaldo Fachini

      15/06/2015 at 15:50

      Parabéns pela eficiência Plinio;parabéns pelo trabalho Miguel.
      Usando os métodos de produção que o Plinio esta desenvolvendo com certeza a conta fecha; claro que não se enquadra a todas as regiões; é preciso ter um mínimo de estrutura,pastagens produtivas,animais com genética e estar em uma região que produz insumos com valores absorvíveis pelo sistema de produção.A polêmica pelo custo da reposição se da pelo fato que a pecuária tradicional pressionada pelos grandes mercados produtores ainda não conseguiu absorver novas tecnologias;como: manejo racional;suplementação proteica e energética;correção e adubação de pastagens;animais com genética para produção de carne,utilizar produtos de ponta,etc…Porque nos da pecuária estamos anos atrás da agricultura ? Pede pra um produtor de soja plantar em um terreno sem correção de solo ; sem adubo; usar uma semente de qualidade inferior;inseticida de qualidade inferior;trabalhar sem equipamento e mão de obra adequada; se isso viesse a acontecer,na primeira safra ele teria que abandonar a profissão! A pecuária tem sido muito generosa por anos; tem gente que até hoje não usa mineral no cocho;mantém os animais em pastagens degradadas com 15, 20 anos de forma,quer comprar bezerro a $ 1.100,00 e levar um produto bom! ( Essa turma esta com os dias contados ). Queridos leitores; desculpe-me pelo desabafo; mas só vai ficar no mercado quem produzir com eficiência; abraços.

  20. Fernando

    08/06/2015 at 10:17

    Para um bezerro de genética diferenciada requer um tratamento diferenciado, um animal deste tipo, não tem como fazer recria tem que ir direto para o confinamento. Acredito que existe a possibilidade de atingir mais de 20@,mas e ai, vai ter mercado e frigoríficos dispostos a pagar mais por esta proteína? um pequeno produtor tem condições de trabalhar com este produto? acho que a conta só fecha se existir condições diferenciadas para comercialização deste animal no mercado.

  21. Ciro Siqueira

    08/06/2015 at 10:27

    Excelente provocação, Miguel.
    Se você lembra dos comentários e perguntas que tenho feito por aí verá que me preocupo com esse momento da nossa pecuária há tempos.
    Minha opinião é que estamos vivendo rearranjo estrutural na pecuária.
    Não é possível explicar esse momento olhando apenas para os ciclos normais da produção.
    Passamos a última decana com um desequilíbrio entre as rentabilidades de diferentes usos do solo. Grãos, cana, algodão, celulose experimentaram anos de alta rentabilidade e ocuparam o espaço produtivo da pecuária em áreas de alta aptidão agrícola, justamente as melhores.
    É natural que esse movimento ocorra primeiro nas áreas com aptidão agrícolas e mais baratas, justamente onde se esconde a cria.
    Nossa pecuária hoje é menor do que seria se esse movimento não tivesse acontecido. Não crescemos como deveríamos ter crescido para sustentar o mesmo nível de preço e a cria sofreu a pressão maior.
    Minha opinião é que a pecuária do futuro será completamente diferente do que fizemos até agora. Teremos custos deslocados, mais altos, na cria primeiro e na engorda logo em seguida. Isso obrigará o mercado a buscar um novo equilíbrio com preços mais altos.
    Acabou a era da carne barata.
    Se eu estiver correto passaremos por grandes e instigantes mudanças no futuro próximo. Será um mundo de novas oportunidades e grandes percalços.

  22. marcello gros

    08/06/2015 at 10:38

    Ë um raciocínio errado que segue a linha de que quando for vender estes bezerros ja como boi gordo a @ estara mais valorizada.
    Sendo realista na nossa regiao um bezerro desmamado leva 2.5 anos para chegar a 17.5 @ a $ 140,00/@ preco hoje. Ou seja remuneracao de $450,00 para uma aplicacao de $2.000,00 durante 2.5 anos.
    A 8% aa nao cobre seu custo de oportunidadee seu custo operascional . O comerciante tem que comparar com o preco que ele esta recebendo hoje e nao o possível e imprevisível valor qu ele talvez venha a obter no futuro.
    Seguindo este raciocinio de vender ao preco real de hoje e comprar na expectativa otimista de um valor futuro que nao paga suas despesar nem remunera seu capital este, leva a falencia.

  23. Clóvis B. Santana Filho

    08/06/2015 at 11:23

    Acho que as minhas previsões particulares estão se confirmando(brincadeira), já falei varias vezes para amigos que acredito que a atividade de engorda vai ficar apenas para produtores tecnificados, com áreas de integração lavoura-pecuária, pastos adubados e confinamento.
    Para o envernista tradicional pagar 2.000,00 em um bez. colocar 1,5 animais/ha e ficar 2 anos com esse animal no pasto a conta não vai fechar, já para aquele produtor que que coloca 5 ou 6 ou mais animais/ha e obtêm altos ganhos de peso, abatendo animais abaixo de 24 meses, vai ter lucro.

    Clóvis B. Santana Filho.

  24. marcelo lacerda

    08/06/2015 at 12:08

    A conta não fecha. Bom fazendeiro é aquele que faz conta e dinheiro se ganha na compra ! Um bom bezerro hoje , cruza industrial deveria ser vendido por R$ 1.400,00 . Valores abaixo deste teto tenderão a ser boas compras. Acima deste patamar, muito provavelmente o reciador sairá no vermelho.

  25. rodrigo

    08/06/2015 at 12:12

    O bezerro a R$ 2000,00 é muito caro para quem compra e barato para quem vende:
    O custo de ter um rebanho de cria é muito alto; a vaca como pelo bezerro que esta mamando, pelo bezerro que esta na barriga e para ela se manter; tem que investir em touro ou inseminação; esperar 9 meses; cuidar do bezerro que vai nascer; passar por problemas de parto; umbigo; creep, etc, esperar mais 8 meses para desmamar um bezerro; então estamos falando de 17 meses para ter um bezerro desmamado; muito tempo!!!
    sem contar problemas com o rebanho de vacas; doenças, descarte;
    é muito mais fácil comprar o bezerro do que criar.
    o problema nao é a conta nao fechar para quem compra o bezerro de R$ 2000,00, o problema é a conta nao fechar para quem vende o bezerro de R$ 2000,00; isso falando de cabeceira, pois nem todos bezerros pegam este preço!!!
    só vejo soluçao no ciclo completo.

  26. Flávio Berriel Abreu

    08/06/2015 at 12:49

    Preço do bezerro R$2000,00/cabeça. A pergunta que faço é qual o preço de venda da @ de boi gordo para fechar a conta.Qual a perspetiva do mercado? Sabendo que o consumo interno é restrito ao preço e sofre concorrência com outras fontes de proteína.

  27. Guilherme Ramm

    08/06/2015 at 14:51

    Acredito que a conta feche desde que, o bezerro possibilite a exclusão da recria sendo abatido antes dos 16 meses e isso só acontece com bezerros acima de 270 kg e quando abatidos acima de 450 kg com bonificação de no minimo 20% por se tratar de um novilho super precoce, mas isso atende um mercado restrito de mercado que infelizmente vai demorar um pouco para ganhar em escala no nosso pais..

  28. kaju

    08/06/2015 at 16:25

    Bezerros viraram a quase que a unica opçao para a reposiçao,numa pecuaria que se moderniza empurrada pela informaçao digital sem fronteiras.Na minha opiniao a viabilidade do bezerro esta diretamente relacionada a infraestrutura do recriador pos compra, pois eh um produto altamente perecivel (se nao cuidado)mas com otimo custo beneficio no aspecto conversao alimentar e desempenho a suplementaçao.
    Aqueles produtores acostumados a comprar garrotes e LARGAR no campo nao tentem fazer o mesmo com bezerros a 2 mil!!!!!

  29. Jose Ricardo S Rezende

    08/06/2015 at 16:45

    O que estamos vendo na minha opinião é um movimento de longo prazo decorrente do fim da expansão de áreas de cria, declínio acentuado da recria e forte intensificação da engorda. E a integração lavoura & pecuária e os confinamentos vieram para ficar e quem não for eficiente na engorda também vai ser expulso do mercado. Bois de 3 anos ou mais estão deixando muito pouco lucro com estes preços de reposição. Obviamente ainda teremos altas e baixas de preços relativos de bezerro e boi gordo ao longo do tempo e acredito em um recuo no preço relativo dos bezerros em um ou dois anos, mas ainda assim com uma relação mais favorável ao bezerro que no passado. O que começa a ocorrer em algumas propriedades é, finalmente, uma intensificação da cria, mas ainda restrita a muito poucos. Creio que com este novo cenário mais favorável ao bezerro e investimentos em genética e manejo em dez anos estaremos falando de bezerros ofertados de 240 / 300 kgs em volumes muito superiores aos atuais. A fase de recria / engorda caminha para se dar em prazo máximo de 12 a 18 meses e quem continuar insistindo em trabalhar nos moldes antigos vai começar a perder dinheiro.

  30. Marcelo baptista

    08/06/2015 at 21:52

    Sou pecuarista no rio de janeiro e prezo muito por genética de ponta e carne de alta qualidade. Por isso acho que o preço do bezerro bom têm realmente que ser reconhecido e deixar pra trás aquele tempo em que boi era tudo igual. Hoje não existe mais espaço para carne de primeira e carne de segunda e sim boi de primeira , boi de segunda e assim nas respectivas categorias. Uma vez que há variação no investimento feito em toda cadeia produtiva ; acho que também deve haver essa variação na hora da venda. Forte abraço aos amigos.

  31. Ronaldo Rogoni Bononi

    09/06/2015 at 08:42

    Bom dia, sou veterinário e minha residencia é perto do núcleo de engorda do grupo que comprou esses bezerros. A conta deles fecha, devido ao volume, exportação direta, rastreamento, ração a baixo custo, o menor do Brasil. E outro porém, o abate é realizado com os bovinos acabados com 22@ em semi-confinamento ( 4 a 8 Kg ração dia). Diluindo mais esse ágio.

  32. Louis

    09/06/2015 at 11:06

    È bom lembrar que os grandes invernistas nunca se preocuparem muito com o preço de reposição, mas sim com o valor da troca. Para mim isso até hoje é valido! Com preços de bezerros em torno de R$2.000 creio que um relação 2 x 1 é o maximo possivel de pagar hoje ou seja o Bio tem que valer R$ 4.000 no abate no minimo. Se não chega lá o risco aumenta consideravelmente no meu entender.

    • Guilherme Ramm

      11/06/2015 at 14:39

      Acredito que uma relação de troca justa seria algo em torno de 1.5 x 1 porque esse bezerro custa 1,2 vacas no pasto pelo período de um ano e mais oque ele propriamente comeu até seu desmame..pegando um bom bezerro em 12 a 16 meses com bom manejo ele chega ao peso de abate..

  33. nevio primon de siqueira

    09/06/2015 at 16:04

    Há anos o valor do bezerro vem dando muito trabalho ao criador para fechar a conta. Desta vez o ciclo de baixa foi bem mais longo do que os outros mas não acredito que isso se reverta totalmente pois já tem muitas fazendas especializadas em engorda de femeas para abate alem das areas de agricultura estarem avançando sobre a pecuária. Também acho que nos casos de pouca escala, os terminadores não se interessem em fazer a cria, porque isso tomaria espaço de bois em terminação, alem de necessitar mão de obra diferente daquela usada para recria ou engorda e instalações também. Lembro que a cada mudança de rumo, perdemos alguns investimentos e precisamos fazer outros para adequar as instalações aos processos novos em implementação.Todos os caminhos levam para a profissionalização das atividades, seja de cria, recria ou engorda. Nos casos de areas muito grandes, pode ser vantajoso o ciclo completo, caso contrario as taxas de desfrute do rebanho ficam muito baixas e o capital de giro leva muito tempo para retornar ( no ciclo completo). Acho ainda que haverá um equilibrio entre os valores de bezerro, garrote, boi magro e boi gordo para que todos consigam sobreviver e conviver no mercado. Quanto ao abate de femeas, não acredito que diminua a ponto de destruir novamente o mercado de bezerros desmamados. Eficiência e produtividade é a bola da vez, em todas as fases do ciclo do boi.
    Abraço a todos.
    Névio Primon de Siqueira

  34. Alberto Pereira

    09/06/2015 at 23:13

    Para fechar a conta o pecuarista deveria fazer o ciclo completo (cria, recria e engorda) minimizando os custos de produção, investindo em tecnologia e não fazendo dívidas.
    Resolvi fazer o ciclo completo em 1985, pois nesta época os custos de reposição foram inflacionados com a entrada de um intermediário nas atividades de pecuária denominado “Leilão de Gado de Corte”, que só na cidade de Frutal, MG chegou a ter 7 recintos de leilão, um para cada dia da semana. O preço ficou então inflacionado em cerca de 10% do criador para a recriador e 10% do recriador para o invernista. Se voltarmos os tempos quando se realizavam negócios diretamente entre cada elo deste ciclo, sem intermediários, os custos ficarão mais realistas sem a inflação dos agentes dos leilões e as respectivas comissões, obtendo um acréscimo de cerca de 20% no resultado da atividade, viabilizando a pecuária.

  35. Hugo Orrico

    09/06/2015 at 23:48

    O papel aceita tudo, então eu tenho visto verdadeiras loucuras de sugestões de dietas para confinamento, a conta simplesmente não fecha, pois o custo da dieta perto de 2@ mês é maior do que o ganho de peso dos melhores animais, que ficam perto de 1,5@ mês, e isso é só o custo da comida! Normalmente eu trabalhava com cerca de 500 bois/dia no confinamento. Hoje meu confinamento de machos tem dez cabeças, apenas para teste de ração. Preferi simplesmente estocar silagem para um ano ou dois, ficando apenas com o custo fixo deixando para comprar somente se a conta fechar antecipadamente, o que deve acontecer em um mês ou dois com o fim das pastagens.Se o mercado futuro indica o boi a R$ 150,00 @ em novembro, pico da alta, quem confina não pode pagar mais do que R$ 135,00 @ do boi magro, ou seja, algo em torno de R$ 1.900,00 ou vai perder dinheiro.

  36. Pingback: Bezerro a R$2.000/cabeça… Descubra o segredo… - Miguel da Rocha Cavalcanti

  37. Francisco Viana

    10/06/2015 at 11:47

    Bom dia pessoal . Miguel, Plinio e José Miguel. Por enquanto não vou escrever sobre o bezerro de 2.000rs,( achando que para se defender é boi pesado e ciclo curto-comida azul),mas neste momento escrevo apenas para dar o outro lado da moeda: não é o sistema capitalista o culpado, muito menos que seja predador ou algo parecido, Mas a ausência de políticas públicas eficientes que faz com que haja estas oscilações acentuadas.
    Francisco viana
    Goiânia go

  38. JOSE LUIZ MARTINS COSTA KESSLER

    11/06/2015 at 11:21

    Bom dia Miguel!
    Muito interessante esta provocação sobre a viabilidade econômica da engorda de um terneiro adquirido por R$ 2.000,00/Cabeça. Primeiramente, imagino que ainda estamos tratando de compra de comoditie o que significa comprar quilogramas ou arrobas. Fiz uma simulação rápida e cheguei a conclusão que mesmo para os muito eficientes (altos ganhos e baixos custos) o risco do negócio será muito alto pois verifico que mesmo com ótimo peso de entrada (estimei 250 kg) e ótimo ganho diário (1,2 kg/cab/dia) necessitaria apostar em um valor R$ 5,80/ Kg ou R$ 174/@ em fevereiro de 2016 (na venda do novilho com 520 Kg) para obter uma rentabilidade de 0,46%/mês. Isto considerando uma dieta de 80% de volumoso a R$ 0,12 por Kg, concentrado a R$ 0,40/ Kg e uma taxa de mortalidade de 0,6% no período. Ou seja, mesmo sendo super eficiente o negócio não se torna atrativo e teríamos que analisar outras hipóteses para aplicar este recurso.
    Forte abraço, José Luiz

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