Bezerro a R$2.000/cabeça fecha a conta?

Por em 8 de junho de 2015

Olá, tudo bem?

Tive uma conversa muito interessante sobre o mercado de reposição, preços do bezerro e ciclo de preços. Além do mercado em si, o que gerou essa discussão em alto nível foi o leilão Mega Cruza, realizado no MT, que alcançou preços recordes, como bezerros de R$ 2.000/cabeça.

Uma das primeiras perguntas é se com esse preço a conta fecha, para quem recria/engorda. A maioria acredita que não, mas convido você leitor, a me responder, com sua visão. A conta é relativamente simples: preço/@ final, peso final, e custo da recria/engorda. Se você tiver alguma consideração adicional, por favor comente.

Eu gosto demais de perguntar isso por email pois eu sempre aprendo muito com você, que me responde sua visão. Muitas vezes, eu não tinha percebido ainda meus pontos cegos e fico com a percepção muito mais completa. Desde já muito obrigado pela sua participação.

Mas tem um outro ponto aí, que eu gostaria de ressaltar.

Eu acredito que um dos problemas é que nos acostumamos com o bezerro barato… Nos últimos 20 anos, o bezerro sempre esteve muito barato… O ágio médio era absurdamente baixo se você analisar só a parte econômica.

Isso deixou muita gente mal acostumada… Se o deságio que equilibra os dois negócios (cria e recria/engorda) é de 40%, toda vez que você comprar um bezerro com 20% de ágio, se prepare para comprar amanhã com 60%… Se comprar com 10% de ágio, se prepare para comprar com 70% de ágio amanhã…

A explicação desse ágio tão baixo no passado, foi o Maurício Palma Nogueira que cantou a bola pela primeira vez: o bezerro era subproduto de um outro negócio – valorização imobiliária de fazendas ainda não abertas.

Outro ponto interessante, do Rodrigo Albuquerque, é que o verdadeiro remédio contra o bezerro caro é produtividade. Concordo demais com esse ponto. O aumento do preço do bezerro aumenta a necessidade de tecnificação e eficiência.

Vale lembrar também que as habilidades de quem cria tendem a ser diferentes de quem engorda. Mudar de atividade é demorado e o pior possível é você entrar/sair na hora errada, lembrando que a pecuária é um negócio de ciclo longo… Se você sai da cria porque o preço está ruim (como bastante gente fez no passado recente), tem grandes chances de sair da cria vendendo bezerro barato, e entrar na recria-engorda comprando bezerro caro

Como disse o Sergio Morgulis: entram na alta e saem na baixa, depois reclamam que a pecuária não dá dinheiro.

E por último, queria frisar com destaque uma observação muito pertinente do Rogério Goulart: estamos falando de bezerro caro, ágio… Cuidado. É típico extrapolar o presente para o futuro, que o ágio do bezerro irá permanecer alto para sempre. Ágio no bezerro vai e volta. É muito fácil se deixar levar pelo momento. Quanto mais lucro, mais investimento, tal qual está acontecendo agora.

O remédio para preços altos do bezerro, são os altos preços do bezerro. Ou seja, quanto maior o preço, maior o investimento em cria, mais tecnologia, mais produção, mais oferta, e com o tempo, re-acomodação dos preços do bezerro.

Muito obrigado pela sua participação. Um grande abraço, Miguel

PS: Você quer fazer a diferença na pecuária e deixar um legado que você se orgulhe daqui 10, 20 anos? Se você acredita no potencial das pessoas e da pecuária brasileira, esse CONVITE é para você.

PS2: Já assisttiu o vídeo do AgroTalento, com uma dica de produtividade: O que é ser produtivo de verdade? [Vídeo]

Miguel Cavalcanti

BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.

AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

47 Comments

  1. Pingback: Bezerro a R$2.000/cabeça… Descubra o segredo… - Miguel da Rocha Cavalcanti

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *