Análise sobre indicação de Kátia Abreu para ministra da agricultura

Por em 18 de dezembro de 2014

Bom dia, como vai? Espero que tudo esteja bem com você.

Uma das expectativas para os próximos dias, na verdade, para a virada de ano, é quem será o novo ministro da agricultura. Tudo indica que será uma ministra, provavelmente a senadora Kátia Abreu.

Ela recebeu uma série de críticas nos últimos meses, e vale a pena avaliar o que esperamos do novo ministro. O principal ponto foi o apoio a candidatura da Dilma.

Há relativamente pouco tempo atrás, Kátia Abreu era oposição do governo do PT. Oposição ferrenha. E isso mudou e não foi explicado o porque. A própria CNA não apoiou a candidatura a reeleição da Dilma. E pelo que entendi, muito pelo contrário. A falta de uma explicação, de um porque, de um motivo, ficou no ar, deixando mais espaço para críticas e desconfiança.

É preciso reconhecer que a CNA ganhou mais corpo e presença desde que Kátia Abreu assumiu a presidência da entidade. E quando assumiu, teve uma receptividade incrível de todo o setor. A impressão é que tinha se tornado a “musa” do agronegócio. Em todas as frentes, era reconhecida, admirada, elogiada.

Quando “mudou de time”, e não explicou, veio o coro de “decepção” e até de “traição”. Nesses últimos meses, ouvi muita gente dizer: “era fã e me decepcionei”.

Pessoas próximas a ela, e que não apoiaram a eleição da Dilma, com quem conversei, defendem a aproximação Kátia-Dilma como muito frutífera para o agro brasileiro. Menos demarcações de terras indígenas, menos invasões de sem-terra, e um plano de safra mais generoso estariam entre as conquistas recentes. Os relatos são de que a senadora tem acesso direto a presidente, como não se via há tempos um representante do agro ter.

Por outro lado, as críticas são anteriores ao apoio a Dilma. Uma suposta auto-promoção em diversos materiais, campanhas, fotos, press-releases e ações da CNA. Em muitos momentos, parecia que ela era mais destaque que a própria entidade.

Outra crítica foi em relação ao movimento Time Agro Brasil. Pouco tempo antes do seu lançamento, muitos nomes de peso do setor se uniram em torno do movimento Sou Agro, e a CNA não apoiou. E logo depois surgiu um novo movimento, o Time Agro, com uma proposta muito parecida.

O que aconteceu? Nenhum dos dois conseguiu alcançar a massa crítica necessária para o impacto que o agro brasileiro precisava ter na sociedade como um todo. Ficou uma sensação ruim de que o ego (de ambas as partes) tinha evitado uma ação muito mais ampla e poderosa oriunda de uma união de forças.

Para a pecuária de corte, eu me lembro em junho de 2013, no congresso internacional da carne, organizado pela Faeg em Goiás, Kátia Abreu prometer em discurso que iria criar um programa de tipificação de carcarças. Eu fiquei muito animado com essa declaração, e infelizmente, parece que pouco ou nada foi feito nessa direção desde então (há quase 18 meses).

O atual ministro da agricultura, Neri Geller, tem feito um excelente trabalho e ouço elogios de diversas frentes. A única notícia (muito) ruim da gestão dele foi a proibição da comercialização de avermectinas de longa ação. Um ato que buscou resolver um problema dos frigoríficos (resíduos na carne exportada aos EUA), mas que foi feito de uma forma brusca e agressiva com todo o setor produtivo, gerando um prejuízo injustificado para os produtores (e indústria de produtos veterinários).

O setor produtivo não quer ficar a mercê de mudanças de regras da noite para o dia, sem diálogo, num movimento que criou uma solução para os frigoríficos e um grande problema para os pecuaristas.

Katia Abreu poderia ser um contrapeso a influência dos frigoríficos no Mapa e no governo federal. Vale lembrar que o JBS foi o maior financiador privado da campanha da Dilma, e de outros inúmeros candidatos. E teria ficado “insatisfeito” com a indicação da senadora ao cargo no Mapa.

Eu acredito que o debate deveria ser em torno de um tema mais importante: o que realmente esperamos do novo ministro da agricultura. Quais são as 10 ações prioritárias para a agropecuária brasileira? Quais resultados efetivos esperamos do ministro da agricultura?

A informação que me chega é que Kátia Abreu teria um plano de revolucionar o ministério da agricultura brasileiro, deixando-o a altura da nossa agropecuária. A meta seria ter um Mapa com recursos, influência e eficiência similares ao USDA, departamento de agricultura dos EUA. Gostando ou não da Kátia Abreu, é preciso reconhecer que essa é uma boa meta. E precisamos ter sonhos e metas maiores para o nosso ministério.

Ontem publicamos uma nota sobre a posse da diretoria da CNA, que contou com a presença da presidente Dilma. Uma clara demonstração de prestígio de Kátia Abreu e da CNA junto a presidente.

E ainda, se pode perguntar, se não for Kátia Abreu, quem será o novo ministro? Quem você gostaria que fosse o novo ministro? Quem poderia fazer um excelente trabalho, entre os “escolhíveis” por Dilma Roussef? Parece não haver muitas sugestões…

Minha leitura é que Kátia Abreu não está mais na fase de “lua de mel” com o setor agropecuário, em especial depois do apoio explícito a campanha de Dilma Roussef sem uma justificativa, mas que se conseguir se desvincular da imagem de quem faz mais em prol da auto-promoção e sim a favor do agro brasileiro, poderia sim reconqusitar a confiança de uma parte importante do nosso setor.

Nosso setor está sedento por líderes que representem, que façam a diferença, que busquem realmente deixar um legado de conquistas, de trabalho e de realizações. Precisamos querer mais, sonhar mais e cobrar mais. O agro brasileiro pode mais, merece mais. É isso que precisamos querer e exigir.

Gostaria de te convidar a um debate saudável e de alto nível sobre o tema. Lembrando que estamos aberto a discordância, a crítica e ao contraditório, mas que é preciso ter mais elegância para criticar do que para elogiar. Use seu espaço no BeefPoint com responsabilidade :-)

Te pergunto:

– Quais as prioridades do novo ministro da agricultura?
– O que você espera do novo ministro, que não vem sendo feito?
– Se você discorda da indicação de Kátia Abreu, quem poderia fazer um trabalho melhor que ela?

Muito obrigado pela sua participação, um grande abraço, Miguel

PS: Esse artigo é uma tentativa de analisar friamente os prós e contras para nosso setor em relação ao novo ministro da agricultura. E também uma tentativa de melhorar o debate sobre quais devem ser as prioridades do novo ministro. Se você não leu ou não se lembra, te convido a ver meu texto “declarando meu voto“. Eu ainda não mudei de opinião… :-)

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
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