Alguns favores são impossíveis de retribuir (valor da amizade e gratidão)

Por em 30 de abril de 2015

Bom dia, tudo bem?

Hoje eu queria te falar sobre amizade e gratidão.

Quando eu era pequeno, meu pai me contou uma história que me marcou. Ele conheceu uma dupla de violeiros meio que famosos que estavam passando uns dias de férias em São Miguel do Araguaia, GO, e não sei exatamente porque, ele convidou os dois para irem tocar na nossa fazenda, num churrasco.

Isso num tempo em que cantores eram muito menos famosos do que hoje, e os valores de cachê eram muito menores…

A dupla então começou a negociar o preço dessa “apresentação” com meu pai, que achou o valor muito alto. Ele estava pensando em algo bem informal, e simples, e os dois queriam cobrar o valor de um “show”. Enquanto essa negociação corria bem informal e divertida, um parente de um dos violeiros escutou a conversa, e quis saber mais. Meu pai já estava quase desistindo… E o sujeito, ao entender o que estava acontecendo, disse de forma definitiva: “Vocês vão ter que ir lá tocar para o Dr. José (como meu pai é conhecido na região) de qualquer jeito…”

E completou, explicando o motivo: “Esse homem fez um favor para mim, que eu nunca vou poder pagar de volta, e por isso vocês precisam ir lá tocar, e não fazer essa desfeita comigo…”

E terminou, explicando, que há anos, estava com a camionete atolada na estrada, num dia de muita chuva, e meu pai passou de carro, parou, desceu, e colocou uma capa de chuva nas costas dele… E ele muito provavelmente nunca teria a chance de “pagar” de volta esse favor de uma capa de chuva num atoleiro no meio da estrada…

Essa passagem simples me marcou.

Ficou na minha lembrança que meu pai faz coisas legais que não tem muita explicação e que essas coisas simples podem ter um valor inestimável… Com isso, eu fiquei com uma sensação de que é muito bom quando você consegue fazer um favor, pequeno que seja, e que seja impossível da outra pessoa te pagar de volta… E eu sempre que posso quero fazer pequnas ações no estilo “capa de chuva no atoleiro no meio da estrada”.

Me lembrei dessa história, pois há duas semanas, um amigo colocou uma “capa de chuva” nas minhas costas… Ou seja, fez um favor (dessa vez grande) que eu nunca vou conseguir pagar de volta… E isso me fez lembrar quanto vale uma amizade…

No evento ao vivo do AgroTalento, um amigo veio passar todos os dias do evento comigo. Chegou na quarta a noite. Passou a quinta no nosso encontro especial de mastermind. Na sexta, sábado e domingo participou do evento do AgroTalento. E foi embora apenas na segunda-feira…

Todos os dias, jantamos juntos, fazendo uma revisão do que tinha acontecido no dia, o que tinha dado errado, o que tinha dado certo. O que precisava e podia melhorar. O que eu não precisava me preocupar e o que eu precisava dedicar atenção. Ele foi meu guarda-costas estratégico por 4 dias… E isso me gerou muito valor. Por causa desse suporte, eu aprendi muito mais sobre o evento, sobre pontos cegos e sobre mudanças necessárias.

Ele estava ali realmente atento a todos os detalhes, pilhado (bem no estilo dele)… Ele elogiou, ele colocou o dedo na ferida.

E para fazer isso com maestria, não foi necessário apenas que ele viesse na quarta e voltasse na segunda. Foi necessário que ele estivesse realmente presente. Que ele estivesse realmente prestando atenção em tudo. Que ele tivesse verdadeiramente definido sua intenção para aqueles dias.

E como eu vou pagar por isso que ele me fez?

Não vou conseguir pagar de volta…

Ele levou para casa de presente quase que um “bezerro”… Ou seja, ganhou um kit de carnes especiais bem legal… Mas isso nunca pagaria pelo que ele fez… Isso é impagável… Isso é uma capa de chuva nas suas costas quando você está dentro de um atoleiro…

Eu acredito que eu posso fazer apenas duas coisas.

A primeira é agradecer de verdade. É ser grato. É reconhecer que aquilo foi importante, que fez a diferença e que eu reconheço e agradeço por isso, mesmo.

A segunda é o que os americanos chamam de “pay forward”, ou pagar para frente. O que é isso? É estar disposto, presente e atento a fazer o bem para outras pessoas. É querer colocar uma capa de chuva nas costas de outras pessoas, que vamos encontrar pela vida e que vão precisar do nosso apoio, do nosso suporte, da nossa atenção e da nossa experiência.

Eu queria te convidar a parar e pensar quem são seus verdadeiros amigos. Quem realmente faz a diferença na sua vida. Quem realmente se importa por você. Pode ser que você não esteja em contato com a frequência que gostaria.

Há poucos dias eu passei o final de semana com alguns dos meus melhores amigos da faculdade. Hoje já somos casados, quase todos têm filhos.

Foi bom demais… As esposas estão ficando amigas. Os filhos já brincam juntos. E nós temos uma alegria enorme em se encontrar, em relembrar histórias engraçadas, e principalmente porque estamos juntos de pessoas que se respeitam, se admiram e querem o bem uns dos outros… E isso é muito valioso.

Espero que você encontre seus amigos. E que você crie maneiras de encontrar mais. E que você consiga pagar para frente as coisas boas que você recebe da vida, por meio dos seus amigos…

Bom trabalho para você. Um grande abraço, Miguel

PS: Continuamos muito animados com o projeto #HumanosDaPecuaria, em que convidamos você a publicar fotos que contem histórias de pessoas ligadas a pecuária, pelo Brasil, de norte a sul. Até o momento já recebemos 454 fotos… Veja alguns dos destaques dos últimos dias:

Mauricio Moller: “E vamos tocando a boiada!

MNP: #humanosdapecuaria #beefpoint

Pecuária Brasil: Muito respeito! Parabéns ao avô!

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

2 Comments

  1. António Gomes

    01/05/2015 at 07:36

    Miguel, muito legal a história e a lição. Mas você se contradiz: começa por dizer que alguns favores são impossíveis de retribuir e depois explica como eles podem ser retribuídos! E não só diz, mas demonstra com as suas ações. A gratidão se propaga através de quem a cultiva. Bem haja por cultivá-la.

  2. Rui gutierrez Almeida

    04/05/2015 at 11:08

    Bom dia , muito boa matéria , fazer o bem tem que estar sempre como meta na nossa vida independente a quem , servir o próximo com amor e dedicação também é meta da minha família , Jesus é nosso maior exemplo de servir com amor e humildade , passamos o final de semana em Campo Grande ( terenos ) colocando capas de chuvas nos ombros de casais através da nossa amizade , testemunho de vida e experiência de casais , viajamos de Rondonópolis – Mt ( 550 km ) p também colaborar , trocar experiências e aprender c eles não só na parte material mas também espiritual , fomos em 4 casais de amigos todos profissionais liberais ( veterinários e médicos e todos pecuaristas e agricultores ) , agradecemos a Deus pelos amigos , por estar servindo ao próximo e principalmente de fazer o bem , louvado seja Deus pelas nossas famílias , um abraco

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