Aftosa: vale a pena correr o risco de parar de vacinar?

Por em 14 de maio de 2015

Bom dia, tudo bem?

Publicamos duas notícias sobre mudança de status sanitário de estados do Sul do Brasil. PR e RS parecem estar buscando o mesmo status de SC – livre de aftosa sem vacinação. Ao mesmo tempo, recentemente o Uruguai afirmou que iria continuar vacinando.

É compreensível que SC siga sem vacinação pois a suinocultura e avicultura são muito mais importantes para o estado do que a pecuária. No entanto, ainda me parece temeroso optar por parar de vacinar em estados como RS e PR.

Qual é sua opinião sobre isso?

Sem vacinar contra aftosa, Santa Catarina investe cinco vezes mais em sanidade do que o Rio Grande do Sul

PR: governo solicita status livre de febre aftosa sem vacinação

Muito obrigado pela companhia. Um grande abraço, Miguel

PS: Muito obrigado pelas dezenas de respostas sobre o texto Carne na lata e comida de alma. Muito bom ver como tanta gente tem suas “comidas de alma”. Muito obrigado por compartilhar sua história, e sua experiência.

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
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16 Comments

  1. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:57

    Seguem os comentários recebidos por email.
    Muito obrigado. Abraços, Miguel

  2. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:57

    Enriquecedores, esclarecedores e informativos os seus textos. Cumprimentos pela suavidade em comunicar, atenciosamente, JB

  3. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:58

    Bom dia Miguel, meu nome é Marcelo Maranho e eu sou de Maringá no Paraná onde semana acontece a exposição agropecuária da cidade, a Expoingá.
    Sou diretor responsável por parte dos cavalos na instituição porém como pecuarista sempre estou envolvido ou antenado para toda parte pecuária da feira. E pelo segundo ano consecutivo a diretoria organiza durante a exposição a Expogenetica, nos moldes da Expogenética de Uberaba, já que sabemos da dificuldade de trazer animais de argola para as feiras , é lógico, como disse o professor Bento Ferraz em uma das entrevistas a você, já passamos da hora de selecionar raçadores usando critérios visuais ou fenotípicos. O caso é que durante este evento também é realizado palestras e conversas sobre vários assuntos ligados à pecuária, logicamente, é uma das palestras este ano foi relacionada ao assunto febre aftosa, que foi de grande valia e nos ajudou a “firmar” uma opinião sobre o assunto. Logicamente eu já era contra o fechamento das barreiros e depois do nosso bate papo fiquei mais contra ainda!
    Primeiro: oficialmente o Paraná recebe cerca de 500 mil cabeças oriundas dos outros estados, ou seja, não somos auto-suficientes na produção de bezerros.
    Segundo: somos um estado agrícola , de terras caras, e normalmente a grande maioria das propriedades são pequenas o que inviabiliza a cria.
    Terceiro: será que o fechamento das barreiras vai ser realmente positivo para o mercado interno do estado? A falta de carne vai acarretar o que? Aumento do preço interno da carne e aumento de exportação ? Se a quantidade de animais produzidas aqui não é suficiente nem para atender o
    Mercado interno.. Ou aconteceria como em Santa Catarina, isso levaria a uma importação de carne de outros países e isso não traria benefício algum aos produtores, seria como trocar 6 por meia dúzia.
    O próprio dono do frigorífico Astra de Umuarama, que é o
    Maior exportador do Paraná disse que não temos
    Montante para atendermos a necessidade interna e nem externa , já que ele
    Próprio traz boi do Mato Grosso do Sul para abater, por falta de boi em sua região.
    Quantas plantas frigoríficas seriam fechadas por isso , se hoje já trabalham apertadas com poucos dias da semana com escala suficiente para abrir a linha de abate. Quanto desemprego isso geraria?
    Nós aqui falando de fechamento interestadual e os Estados Unidos indo buscar bezerro no México ..
    Miguel isso são algumas situações , mas com certeza ainda Não estamos preparados para tal feito.
    Vai aqui a minha opinião e tenho certeza que da Maioria dos pecuaristas do Paraná que tiveram acesso às consequências que esse fechamento levaria.
    Espero ter ajudado, bom dia e bom resto de semana!

    Marcelo Maranho

  4. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:58

    Miguel

    Bom dia

    O RS já fracassou quando tentou ficar sem vacinar, uma fronteira seca com o Uruguai, que o estado não consegue fiscalizar, aqui em Livramento as propriedades que ficam na fronteira é comum começar em um país e acabar em outro ou vice versa. O abigiato que cada vez aumenta havendo trasnferência de animais sem controle.
    Por outro lado uma campanha de vacinação que o produtor apresenta uma declaração com a nota de compra da vacina, acredito que sirva mais para lucro do laboratório e ônus para o produtor rural. É um tema muito delicado e que na minha opinião deve ser muito bem estudado entre os produtores rurais e governo, quando Uruguai e RS tivem focos de febre aftosa ambos sofreram com a crise econômica.

  5. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:59

    Bom dia Miguel.
    Primeiramente quero aproveitar para te parabenizar por este trabalho incrível que você vem fazendo pela pecuária do Brasil. Acompanho teus e-mails desde o princípio e sempre me foi útil para manter-me informado sobre o que está acontecendo no mercado mundial.
    Um dos maiores desafios que existem na nossa atividade, no meu ponto de vista, é a falta de informação, e outro ponto que acredito ser um desafio é a falta de disciplina dos produtores, a dificuldade de se organizarem e seguirem a risca um planejamento, formar uma linha de produção. Coletar informações sobre técnicas eficientes de produção adaptar para a propriedade e alterar apenas pontos que realmente precisam de modificações.
    O que vejo são produtores produzindo diferente e de forma diferente a cada ano, não sei se é por esse instinto de desbravadores que temos, ou se é pela forte pressão de consultores e representante de empresas que estão cada vez mais “sedentos” por novos clientes…

    Bueno, no assunto da aftosa, sendo um produtor aqui do Rio Grande do Sul, acredito que é mais do que precipitado essa idéia de retirarmos a vacina… Acredito que isso possa ser uma pressão de frigoríficos para destravarem novos mercados, ou de alguns produtores que não querem ter o “trabalho” de vacinar seu rebanho… Temos gado vivo sendo transportado para toda parte do pais, cada vez mais confinadores de estados do centro/sul estão vindo atrás de terneiros europeus para conseguir uma diferenciação no preço final… E se retiramos a vacina e alguma tragédia acontece? Dai teremos quase todas exportações trancadas por um “luxo” de acharmos que somos imunes a aftosa?
    Resumindo, não acho certo nem seguro a retirada da vacinação…

    Me desculpa o alongamento da prosa… Hehehe… É que a muito tempo estava me ensaiando para te enviar um e-mail e somente agora que tive oportunidade e coragem…

    Grande abraço meu amigo ( te considero muito amigo, pois todos os dias converso contigo lendo teus e-mail)
    É mais do que importante este teu trabalho para nos produtores.

    Até logo

  6. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:59

    Caro Miguel……Parei de laer para responder……Tenho panico em ouvir falar em parar a vacinação….O nosso rebanho é muito caro para aventurarmos segurança vacinal para p espaço….Quem fala ou defende esta ideia não tem raiz e noção no trabalho de selecionar um rebanho…..!!!!! Obrigado pelo espaço….

  7. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:59

    Parar de vacinar aftosa com o nosso controle de fronteira
    Parece-me muito arriscado, em quanto os vizinhos tiverem problemas
    De sanidade.
    Abraços,

  8. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:59

    Boa tarde Miguel, tudo bem?

    Eu acho que ainda não é o momento do PR e RS ficar sem vacinar da aftosa. Creio que ainda não são preparados para esse passo convém esperar mais um tempo pra ter certeza que isso vai ajudar no rebanho de cada estado e se o sul irá melhorar realmente sua sanidade, espero que não atrapalhe SC …

    Abraços

  9. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 11:00

    Ei Miguel,

    Bom Dia !

    Também concordo com você sobre o risco de parar a vacinação de aftosa, pois paralelo a suspensão da vacinação, devemos ter certeza da efetividade dos mecanismos de barreiras sanitárias.
    Além disso , me preocupo com o reflexo nas Indústrias Veterinárias, visto os valores financeiros envolvidos nas campanhas.
    Não podemos esquecer também, que o mercado global de carne é muito competitivo e, qualquer notícia gera uma consequência imediata para todos.
    Fiquei curioso sobre a etiologia do vírus e porque o foco está sempre no boi, suínos também não tem riscos ? Vou pesquisar um pouco .

    Abraços;

  10. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 11:01

    Não vale a pena correr o risco de não vacinar o gado, é um tiro certeiro no pé. Tenho cuidado em comprar carnes e mesmo assim ainda tenho dúvidas. Existem pessoas irresponsáveis no comércio. O Brasil poderá ser o celeiro do mundo, basta ter gestores competentes. Não pode ignorar 7 bilhões de bocas para alimentar. Cumprimentos pelo texto inteligente e bom final de semana, abraços e também ao Alex Atala (sucesso sempre), JB

  11. Silvio Moura

    15/05/2015 at 12:01

    A discussão é boa e necessária, Miguel. Aqui em MS, a vacinação é obrigatória. Mas, da forma que é feita, é papel, não prática. Os produtores ao meu redor tem consciência e vacinam, mas será que, num estado grande como esse, todo mundo tem consciência ou conhecimento? O orgão responsável, IAGRO, devia ir sempre acompanhar as fazendas e não eventualmente.
    Quem viu os resultados de um acidente de carro como eu vi recentemente, não correria mais com o seu. Alguém já viu um rebanho babando de aftosa?
    Saudações

  12. Edson Henrique Vera

    15/05/2015 at 13:41

    Fui um dos responsaveis por implantar em SC a retirada da vacinação contra a febre aftosa. Não é facil o processo, primeiro constatamos de que a vacinação, ocorria efetivamente em menos de 30% das propriedades. Ocorreram vários focos e partimos para uma vacinação oficial denominda de “agulha oficial”.
    Conquistamos junto com o RS o status na OIE de zona livre de febre aftosa com vacinação.
    Vários focos ocorreram no RS e o governo estadual, respaldado em posicionamento técnico, fechamos as barreiras com o RS e não voltamos a vacinar, mesmo com a perda na época do status de zona livre .
    Continuamos nossa situação como uma “ilha sanitária” entre RS e SC.
    Hoje nossa situação é exemplar,porém conquistada com muito custo.
    Lembro em uma reunião quando ainda vacinávamos de um questionamento de um diretor da agroindústria de ” o que faríamos (nós técnicos da CIDASC) após a retirada da vacinação. Quando informei de que vacinar é fácil porém o custo, a vigilância sanitária, a prevenção, seriam mais custosas e de ter uma eficácia muito grande.
    Bem quanto ao fato de RS e PR pretender retirar a vacinação:
    1. Qual o grau efetivo de vacinação do rebanho (refiro-me a animais efetivamente vacinados)
    2. Qual recurso aportado pelo governo para a defesa sanitária;
    3. Qual o envolvimento efetivo dos produtores rurais;
    4. Qual a colaboração da agroindústria.
    Muito mais questionamentos podem ser feitos.
    Porém o que importa é que o vírus da febre aftosa diminuiu sua circulação. Os focos em SC, foram identificados como oriundos de duas formas:
    – Vindos do Uruguai, Argentina e RS
    – Vindos do MT, SP, MG, PR
    Na época devido ao transporte de animais destas regiões
    Finalmente, se não houver a participação efetiva Governo/técnicos/sociedade/agroindústria não vejo avanço.
    Não existe risco ZERO em sanidade

  13. Altino Rodrigues Neto

    15/05/2015 at 14:09

    Santa Cantarina para mim, foi considerado como uma aréa piloto e mostra que podemos avançar no PNEFA.Para avançar, não podemos pensar em Estados e sim em territórios.Como trata de um problema economico e não de saude publica, nao podemos nos dar o luxo de ir retalhando o Brasil e inviabilizando o comercio entre os Estados.Não seria melhor retirar a vacinação de adultos,da Bahia ao Rio Grande do Sul, até que os outros Estados alcançansem o mesmo estatus sanitario desta região. Enquanto isso seria criado um fundo nacional de defesa sanitaria,aumentaria a pesquisa de circulação viral no país,auditaria os serviços estaduais de defesa,além de implementar um controle de fronteiras no País.

  14. azhaury macedo linhares

    18/05/2015 at 12:22

    considerando que a vacina contra aftosa tem a sua eficacia, acho que o prejuízo de um surto desta doença, que acredito ter muito maior risco sem a vacinação, será significamente maior que a perda de algum mercado, o que, felizmente, não está impedindo que tenhamos bons preços para a nossa carne. Um grande abraço

  15. Rudsen

    25/05/2015 at 18:56

    Há quantos anos foi erradicada a paralisia infantil no Brasil? Seguimos vacinando porque o risco da volta existe.

  16. Fábio Bitti Loureiro

    26/05/2015 at 20:05

    Creio que o problema fundamental não é vacinar ou não, mas sim, conforme questionou o Sr Edson Henrique Vera, saber se a cadeia envolvida está disposta a investir em material humano, técnico e tecnológico, bem como construir uma infra-estrutura adequadA para dar credibilidade a efetiva execução do que se quiser fazer!
    Do contrário, a falta de credibilidade no sistema é que sempre vai prevalecer e aí só lucram uns poucos interessados!
    Obrigado!

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