A pecuária brasileira vai ficar igual a dos EUA?

Por em 29 de outubro de 2014

Bom dia, tudo bem?

Conversando ontem no grupo BeefRadar no Whatsapp, estávamos falando sobre os preços do bezerro, que subiram muito no Brasil e mais ainda nos EUA.

Daí, o Rogério Goulart, da Carta Pecuária, fez uma pergunta muito interessante. Disse: comparar a pecuária dos EUA com a brasileira é implicitamente dizer que o Brasil caminha para um modelo parecido com o dos EUA. É isso que vocês acham que vai acontecer?

Eu fiquei pensando que essa é uma excelente pergunta. Que nos ajuda numa reflexão sobre quais mudanças vamos ver na nossa pecuária daqui em diante.

Gostaria de fazer esse exercício com você, colocando meus pontos e no final perguntando sua visão.

Se a pergunta é relacionada a confinamento, minha percepção é que não. O Brasil não vai ficar igual aos EUA. Aqui temos abundância de pasto, de chuva, de variedades de capim altamente produtivas. E agora temos integração lavoura-pecuária.

O confinamento ainda deve crescer bastante no Brasil, mas dificilmente teremos um sistema que sai da desmama direto para o confinamento.

Nos EUA, o que levou ao aumento do confinamento foi a escassez de pastos e a abundância de milho e outros grãos. O modelo de produção brasileiro mais eficiente vai cada dia mais unir o melhor dos dois mundos – o melhor do pasto e o melhor do confinamento.

Mas existem outros pontos que valem a pena serem comentados.

A agricultura brasileira está crescendo. E com isso, obviamente, a produção de grãos. E de sub-produtos da agricultura, como casquinha de soja, caroço de algodão (espero que ninguém brigue comigo por citar esse ingrediente polêmico…) e muitos outros sub-produtos.

No MT, teremos produção de etanol de milho, e com isso teremos DDGs, ou seja, uma fonte de proteína excelente para bovinos, com custo baixo.

Eu acredito que o uso de grãos (e de sub-produtos) vai aumentar na pecuária brasileira. Técnicas de suplementação como as ensinadas por Flavio Resende e Gustavo Rezende, da APTA Colina, vão se difundir mais e mais pelo Brasil. Nesse momento, estamos terminando um curso online com eles, com mais de 11.000 participantes, com mais de 100 empresas parceiras. Ou seja, muito mais gente está se capacitando com o que há de melhor em técnica de produção eficiente a pasto com suplementação.

A eficiência vai aumentar. O desperdício vai diminuir. Toda vez que vou num confinamento nos EUA, fico com a impressão que eles trabalham mais e melhores do que nós, e ganham menos dinheiro por boi do que aqui no Brasil, na média. Um dos aprendizados que vejo nos confinamentos americanos é a precisão, a eficiência e a gestão primorosa. É claro que existem excelentes confinamentos no Brasil, mas nos EUA, na média, a gestão é superior.

Outro ponto similar aos EUA. O rebanho brasileiro está se estabilizando ou reduzindo de tamanho. A área de pecuária idem, pois é muito difícil abrir novas áreas, e a agricultura pouco a pouco toma áreas que eram apenas de pecuária. Vamos reduzir área, vamos reduzir o rebanho, mas vamos aumentar a produção. E esse aumento virá do aumento de produção e também do aumento do peso de carcaça.

O peso de carcaça também é influenciado pelo preço do bezerro (reposição) e preço da alimentação (grãos para confinamento ou suplementação). O cenário atual no Brasil é de bezerro caro e milho proporcionalmente barato. Com isso, teremos um aumento do peso de carcaça médio. Mais uma semelhança com os EUA…

Bezerro cada vez mais caro. Eu me lembro de uma frase que ouvi no congresso mundial da carne na África do Sul em 2008: produzir um bezerro é caro, difícil e demorado… Se é complicado assim, a tendência é escassez e preço alto.

Analisando os três fatores / premissas abaixo:

1- Redução da abertura de novas áreas, onde a cria é a primeira atividade
2- Melhoria da capacidade de gestão dos pecuaristas
3- Cria tem rentabilidade similar a recria/engorda quando o ágio da @ do bezerro é de 40% em relação ao boi gordo (dados Exagro)

Minha conclusão é que a tendência de médio-longo prazo é que o ágio do preço do bezerro deva variar em torno de 40%. Isso mesmo, variar, para baixo e para cima… Porque eu acredito nisso? Toda vez que um criador fica melhor na sua gestão e o ágio está abaixo de 40%, ele terá um estímulo econômico para migrar para o ciclo completo ou para recria/engorda.

A tendência é o mercado se equilibrar mais perto dos 40%, e você olhar nos últimos 10 anos, em apenas 2-3 meses (de um total de 120 meses), o ágio ficou próximo dos 40%… Tivemos momentos até de deságio…

É só perguntar qual é a sugestão mais comum da maioria das empresas de consultoria em gestão pecuária, para criadores…

Isso é ruim?

Não. É apenas uma tendência.

Minha sugestão para quem é invernista e não quer ser criador: estude como tornar seu negócio rentável mesmo comprando um bezerro com 40% de ágio em cima do preço do boi gordo. Será uma melhor recria? Confinamento mais eficiente? Peso de abate mais elevado? Uso estratégico de suplementação desde a desmama até abate (boi 7-7-7)?

Outro ponto que chama a atenção nos EUA é a pequena quantidade de funcionários nas fazendas. Lá a mão de obra é mais escassa e mais cara do que no Brasil. Para se ter uma ideia, a maioria dos vaqueiros é de origem hispânica (México principalmente). Imagine você ir visitar uma fazenda aqui no Brasil onde não tem vaqueiros brasileiros? Essa é a realidade nos EUA.

Ou então, quem trabalha é o próprio dono da fazenda. Para contornar isso, investem em maquinário, em automação, em todo tipo de tecnologia que aumente a eficiência da equipe de trabalho. Eu acredito que isso vai ser uma tendência forte daqui para frente por aqui também. Não conheço ninguém aqui no Brasil que não está preocupado com isso.

Um ótimo exemplo dessa tendência aqui no Brasil é o uso de IATF, que uma das grandes vantagens em relação a IA tradicional é a facilidade muito maior de manejo.

Em resumo, minha visão é que o Brasil vai aproveitar sempre suas vantagens naturais e suas condições de mercado, mas que vamos caminhar para uma pecuária mais eficiente e produtiva, e em vários pontos mais parecida com a pecuária dos EUA.

Qual sua visão? Você concorda comigo? Deixe seu comentário, aqui nesse artigo. Fico no aguardo da sua resposta e da sua participação.

Muito obrigado. Um grande abraço, Miguel

Miguel Cavalcanti

BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
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64 Comments

  1. João Abdo

    29/10/2014 at 07:50

    Bom Dia Miguel

    Concordo quando vc diz que a cria tem que ser mais valorizada. É a tendência clara. A base do Nelore vai ter que ser melhorada. Até a desmama estamos praticamente no limite, não acredito em bezerros com médias superiores a 7 ou 8@. Portanto, onde temos que trabalhar é principalmente na recria. O curso Apta/beefPoint mostra isso. Melhores vacas, melhores índices zootécnicos, melhor recria. Essa é a tendência pra mim.

    • Ricardo

      30/10/2014 at 07:49

      bom dia joao,
      Concordo com o q vc falou só gostaria de comentar sobre o q vc falou de nao acreditar em bezerro com mais de 8@,temos um caso de um vizinho aqui q com bezerro cruzado ele consegue 11@ na desmama com sal proteinado.

    • paulo de almeida sampaio

      30/10/2014 at 08:58

      Miguel,bom dia!
      Sou zootecnista formado pela FAZU e desde 89 sou responsável pela pecuária na fazenda de minha famíliaem MT.Fazemos o ciclo completo,e eu concordo com vc que o ciclo pecuário do Brasil mudou e tende a mudar mais.Desde quando comecei a trabalhar,já presenciei altas e baixas do boi gordo que faziam parte do ciclo pecuário,mas desde 2008/2010 quando houve 2 anos de seca muito forte no centro-oeste,e a agricultura teve preços valorizados,o que vi foi um conjunto de mudanças na pecuária que na minha opInião tendem a mudar o ciclo pecuário normal:
      – abate de femeas acima do normal devido as secas e abertura de áreas agrícolas
      – tecnologias para engorda (hoje com um pouco de investimento se consegue abater novilhas com 20 meses)
      diminuição da idade de abate dos machos (nesses últimos anos com o aumento de suplementação e confinamentos reduziu-se em pelo menos 1 a 1,5 anos a idade de abate
      aumento do consumo de carne e exportações (necessidade de maior volume de carcaças)
      Esses e vários outros fatores contribuíram para que hoje tivessemos essa recuperação nos preços de todas as fases da pecuária.Porém,com todas as tecnologias existentes,tem um ponto que não se consegue mudar,que é o tempo de gestação de uma vaca (285 dias).Todo esta aceleração que tivemos na produção de carne,não pode ainda ser compensada com a produção de bezerros,e acho que ainda vai demorar para estabilizar.Qualquer empresa vive de produzir e vender sua produção e uma fazenda não pode ser diferente,as taxas de desfrute da pecuária brasileira tendem a subir e as taxas de produção de bezerros a se estabilizar,isto na minha opinião é que vai modificar o ciclo e os preços das fases da pecuária brasileira.
      Abços
      Paulo Sampaio

    • Marcos José Silva

      04/11/2014 at 08:50

      Até quando o pecuarista não parar de pensar que ele tem uma fazenda de criação de gado mais sim uma empresa de produção de carne que tem que ser trabalhada como uma empresa do setor de produção de alimentos vamos continuar a caminhar a passos lentos em relação ao EUA.

  2. edgar milani de holanda

    29/10/2014 at 08:02

    exelente gostei muito, parabens a toda sua equipe, espero que voces nao parem so neste curso.concordo com a sua comparaçao EUA e BRASIL

  3. ADEMIR VIEIRA DA SILVA

    29/10/2014 at 08:05

    Miguel, eu concordo plenamente com suas colocações, acrescentaria apenas, temos 100 milhões de área de pastagens degradadas, sendo que parte tem potencial agrícola e será ocupada por soja, cana de açúcar etc (talvez 50%). É possível que o saldo de 50 milhões de há, tenham potencial de recuperação, via ILP ou não. Portanto, temos ainda espaço para que a pecuária cresça, ainda que numa área total de pastagem menor, mas com lotação animal bem maior. Poderíamos sair de uma lotação média de 0,75UA/há/ano para 1,5 (???..). Esta estatística não existe ou não é confiável em tamanho de áreas e quanto está degradado. Mesmo assim, eu acredito nessa possibilidade de crescimento. A pecuária(corte e Leite, mais corte) passa por uma fase de transição, em mudança de geração e melhoria de gestão do negócio. Não é a vontade de mudança, mas a necessidade da melhoria da rentabilidade.

  4. Lauro Klas Junior

    29/10/2014 at 08:11

    Concordo que o padrão da pecuária brasileira está mudando rápidamente.
    A valorização do boi, viabiliza a adoção de novas tecnologias, fato que vai possibilitar a redução do prazo para acabamento do boi, que já foi de 5 anos, caiu para 3 anos e agora deve chegar a 2 anos em média.
    Acredito que o confinamento a pasto será a modalidade mais viável para nós.
    O tempo dirá ……………
    Lauro.

  5. Leandro Correa de Souza

    29/10/2014 at 08:22

    Concordo plenamente com sua visão inclusive tivemos uma discussão sobre o mesmo assunto na quinta dia 23/10 um amigo confinador defendendo que a pecuária daqui se tornaria igual a americana, e eu e meu irmão dizendo exatamente que as pastagens brasileiras e a integração são o melhor e o diferencial da pecuária nacional. Portanto no meu modo de ver a longo prazo é impossível abrir mão deste ganho. Acredito que em anos de ágio menor para o bezerro ou grãos baixos, ou ainda projetos de ciclo completo, que tenham um custo mais baixo de produção de bezerro conseguido com uso de tecnologia adequada a cria, isso pode ocorrer, mas na normalidade do mercado isso não seria a regra.

  6. Alexandre

    29/10/2014 at 08:23

    Vcs esqueceram de falar da genética ….sem ela nunca conseguiremos estar na ponta da pirâmide…

    • Idacir

      29/10/2014 at 13:02

      Mas acredito que o conceito de epigenética foi comentado nas entrelinhas, pois com uma melhor cria, melhor será o desempenho do animal nas fases seguintes e ainda melhor desempenho dos seus descendentes (se for touro, é claro).

  7. Cezar Almeida

    29/10/2014 at 08:31

    Prezado Miguel,
    Concordo com a sua visão sobre o futuro da pecuária no Brasil. Acredito que o pecuarista deverá se profissionalizar para poder sobreviver. A integração da lavoura com a pecuária deverá ser um item de diferenciação e maximização dos resultados, seja do agricultor ou do pecuarista. A adoção de técnicas como IATF serão fundamentais e a dedicação do próprio pecuarista ao seu negócio também fará diferença. Ou seja, deveremos nos aproximar do modelo americano, porem sem intensificação dos confinamentos.
    Abraço
    Cezar Almeida

  8. Claudio Nicchio

    29/10/2014 at 09:02

    No meu entendimento a pecuária moderna, deve sim em parte seguir tendencias americanas, assim como implementação IATF, para melhoria e gestão do rebanho com qualidade; também investir em SUPLEMENTAÇÃO com CONFINAMENTO A PASTO (Confinapastos) e CONFINAMENTO NORMAL para agilizar ganho de peso em períodos secos e consequentemente aliviar os pastos neste período.
    Devemos também investir cada vez mais em processos MECANIZADOS para diminuir custos com PESSOAL.

  9. Chris Luciano Howe

    29/10/2014 at 09:05

    Bom Dia Miguel!

    Primeiramente; parabéns pelo interesse e todo trabalho desenvolvido em prol da pecuária brasileira. Mesmo não atuando nesse ramo da economia, sou filho de ex-agricultores e gosto muito de tudo que fala de nossa pecuária e agricultura e seus artigos comecei a receber via e-mail (ainda não sei como); li uma vez e hoje em dia não perco um só artigo. Material não só rico em informações mas também “uma injeção” de otimismo pois a gente percebe o quanto é prazeroso para você, fazer esse trabalho.
    Mas respondendo a sua pergunta “A pecuária brasileira vai ficar igual a dos EUA?” acredito que vai depender muito da região desse nosso enorme Brasil. Conheço poucas fazendas de MT SP e PR; todas com estilos muito diferentes das fazendas aqui de minha terra SC. Aqui em SC os pequenos pecuaristas estão se acabando por falta de interesse dos filhos que vão buscar profissionalização nas indústrias ou inviabilidade produtiva; uma vez que nossa geografia torna muitas propriedades improdutivas por não ser possível o uso de maquinários agrícolas – com isso a produção de grãos também é reduzida, aumentando o custo do concentrado. Com os filhos trabalhando nas industrias e a idade “pesando” para os proprietários agrícolas; eles investem em atividades que necessitam menos esforço físico e manutenção… a grande alternativa são os Reflorestamentos de eucalipto e pinus. Para quem ainda engorda gado está cada vez mais difícil encontrar bezerros e quando encontra o preço realmente é carro, mas ainda temos boa genética graças a grandes criadores que permanecem na atividade e adaptam seus rebanhos as nossas condições naturais (clima/geografia), com animais de sangue europeu ou cruzamentos Zebuínos X Taurinos. Em resumo… não vejo uma semelhança da pecuária Catarinense com a pecuária dos EUA; mas acredito que outras regiões do Brasil tem sim condições de ser igual e até melhores, pois são privilegiadas geograficamente; clima é favorável; mão de obra qualificada; investidores conscientes ousados e empreendedores; incentivo e muita informação por parte de organizações governamentais e outras instituições que apostam na Pecuária Brasileira como a BeefPoint.
    Bom Trabalhao… Abraço!

  10. João Ataliba de Resende Neto

    29/10/2014 at 09:18

    Bom dia, Miguel. Concordo com voce em parte, vejo que a pecuária nesse período de transição tem esbarrado em alguns preconceitos por parte até dos produtores, como exemplo de produtores acostumados a boi de 4, 5 anos, e hoje em busca de eficiencia passamos a 3 anos no máximo. Temos que tomoar cuidado com os modismos, pois não são todas as áreas que cabem essa ou aquela tecnologia, tem que ser bem estudada pois seus custos são altos, mas temos sim que aproveitar a eficiencia de nossa LAVOURA de capim pois aí junto com genética continuaremos imbatíveis na produção de carne, com um alto desfrute que deve ser nosso objetivo, condição essa que considero altamente tecnica e profissional. Abraço.

  11. Eduardo Trevisan

    29/10/2014 at 09:53

    Muito interessante esse artigo. Todavia, uma com esse cenário de diminuição da área de pastagens e intensificação, me parece que as regiões mais ao norte do Pais (Amazônia e Cerrado) ganharão ainda mais valorização e importância para pecuária. Justamente por esta questão, já que essas regiões em geral são mais atrasadas, vejo essa aproximação com a pecuária norte americana mais demorada.

  12. marco antonio velloni figueiredo

    29/10/2014 at 09:56

    Bom dia, miguel acredito o que falta ao pecuarista é investir
    e melhorar gestão com isso ira ter mais exitos , uso um conversor alimentar que me faz ter um bezzero mamando e um na barriga tendo assim mais lucratividade e na recria desmamo com maior volume e adianto a recria e na engordan tenho um ganho estimado de diferença com o uso deste alem de acelerador de crescimento e engorda é tambem conversor alimentar um ganho de mais ou menos de 10 a 15 kgs de diferença de um animal tratado para o testemunho e o que é bom que a ação e manejo é a cada 90 dias , por isso que digo investir para lucrar ainda mais com esta boa relação investimento/resultado.
    Parabens por sua explanação que sempre é de grande aprendizado .

  13. Custodio Magalhaes

    29/10/2014 at 10:13

    Miguel
    parabéns pelo trabalho que vens fazendo em prol da pecuária ,
    fiquei curioso para saber o que e o boi 7-7-7,que te referes.
    abraço
    Custodio

  14. Fernão Zancaner

    29/10/2014 at 10:24

    Bom dia.
    Concordo que a evolução das atividades agrícolas no Brasil vão seguir as mesmas tendências da evolução ocorrida nos EUA, NZ e Austrália, claro que guardadas as diferenças específicas de cada local. A tendência no uso de máquinas maiores e mais modernas na realização das tarefas, assim como a tercerização de serviços para empresas especializadas na realização de atividades que antes eram realizados por trabalhadores das fazendas é uma realidade, como exemplo cito o custo de uma pulverização aérea que custa muito menos e tem uma precisão, rapidez e nível de tecnologia muito superior ao pequeno tratorzinho da propriedade, isso sem levar em conta a NR31 que definitivamente não está de acordo com a realidade dinâmica do trabalho rural. A cria hoje ainda aceita rentabilidades abaixo do preço de equilíbrio da recria e engorda, porque a grande maioria dos criadores não sabem quanto custa o seu bezerro produzido, ou não sabem qual o retorno da sua atividade, mas essa situação está mudando e isso gradativamente tende a aumentar o custo do bezerro e equiparar a rentabilidade da cria a rentabilidade das outras atividades.
    Num futuro bem próximo nossos vaqueiros serão transformados em técnicos veterinários, andando com motos ou quadricículos provavelmente utilizando cães treinados no manejo de gado e com currais bem equipados para realização das tarefas com o mínimo de gente.
    Isso vai acontecer mais rápido do que imaginamos.

  15. Jerônimo Machado

    29/10/2014 at 11:05

    Caro Miguel.

    não acho que a pecuária do Brasil esteja indo em direção ao modelo dos EUA. vejo que a onda de confinamentos gigantescos e até mesmo de médio porte, está diminuindo, pelo menos aqui no meu estado(MS).no final das contas, qualquer sistema de produção pecuária, caminha para o lado onde as contas fecham, e as fazendas com maior rentabilidade por ha, são aquelas que produzem o maior numero de @/ha/ano no pasto(segundo a exagro). condições que o Brasil e Nova Zelãndia, são indiscutívelmente muito favorecidos pelo clima, topografia e condiçoes de solo. temos também uma questão cultural de consumo de carne não industrializada, sem gordura excessiva, com um gigantesco mercado consumidor interno.não vejo esse mercado buscando o tipo de carcaça produzido pelos americanos. temos ainda, uma raça predominante no país(nelore) que tem inúmeras vantagens sobre as raças européias para produzir carne a pasto. e vejo também um aumento crescente na busca de tecnologias por parte dos produtores para serem mais eficientes( melhoramento genetico, suplementação, reprodução, etc.) principalmente no que diz a melhoria das pastagens com destaque a ILP, que acredito ser hoje, a ferramenta mais impactante na lucratividade de uma fazenda de pecuária. enfim, existem outras pontos a serem discutidos com relação aos dois modelos de pecuária (BRASIL X EUA). mas acho que seria muito prejudicial se o nosso país fosse buscar o modelo deles em detrimento do nosso. estariamos indo contra uma premissa básica, simples e fundamental da pecuária: “o boi é uma fantástica máquina de transformar capim em carne”. O Brasil tem sem dúvida as melhores condições naturais a nível mundial para o bovino exercer sua função.

  16. Gessias Jardim dos Santos

    29/10/2014 at 11:10

    Bom dia, primeiramente te parabenizo pelas brilhantes informações contidas em seu trabalho e quanto a semelhança entre pecuária BR e EUA, vejo que a pecuária Brasileira caminha para superar a norte americana a médio prazo, temos condições edafoclimáticas favoráveis, uma agricultura caminhando para atingir altas produtividades, melhoramento genético do bovino com alta qualidade de carcaça e menor tempo ao abate. A agricultura realmente está ano a ano ocupando áreas com pastagem, mas, para compensar este déficiti as pesquisas em novas variedades de gramineas que se adaptam as diferentes regiões deste nosso imenso país, sem contar os benfícios da ILPF, do sistema barreirão e do sistema santa fé que possibilitam a recuperação de pastagens que estão em estágio de degradação ou já degradadas tornandoas produtivas e contabilizando maiores ganhos ao produtor/pecuarista. Abraços.

  17. José Alberto de Ávila Pires Xapecó

    29/10/2014 at 11:25

    Miguel Cavalcanti,
    Parabéns pelo seu trabalho e esforço em tornar o Beef Point um informativo importante e de consulta obrigatória para todos os setores da atividade de bovinos de corte do Brasil.
    Sobre esse seu artigo, comparando a pecuária dos EUA com a brasileira, gostaria de destacar um ponto que eu acho de suma importância: no Brasil precisamos dar atenção especial à atividade de CRIA, de produção de bezerros (as) de corte. Pois esta CRIA é a base de sustentação de toda a produção, mesmo porque sem vaca não haverá o bezerro de corte, o boi para engorda, a carne bovina… . É incrível como não se valoriza esta atividade de CRIA, no Brasil.
    Outro detalhe importante: na pecuária de corte, “quem CRIA” não faz ENGORDA, e quem “ENGORDA” não faz CRIA. Mas toda atenção está voltada e concentrada na “ENGORDA”, no boi de corte. Como se o próprio “boi” tivesse condições de “reprodução”, como se de um boi fosse possível produzir outro boi. Já ouvi um pecuarista dizer que ele (e seus companheiros) gostam de CRIAR BOI. Incrível, não?
    Outro fato importante: da mesma forma do que acontece nos EUA, também no Brasil, a atividade de CRIA é uma característica dominante de pequenos rebanhos, pequenos criadores. E aí fica uma pergunta: como esta atividade de CRIA, de pequenos rebanhos, pode ser viável economicamente nos EUA, e não no Brasil? O que você acha disto?

  18. Samuel Oliveira

    29/10/2014 at 11:27

    Caro Miguel,
    Acredito que a pecuária no Brasil, vai ficar não só evoluída à dos EUA, mas a de outros países também, dentro de cada modelo de produção. Seja ele à pasto, semi-confinado e confinado, embora como você disse, esse em menor proporção aqui no Brasil (praticamente quando utilizado, só para terminação/engorda).
    Mas, vamos lá, já temos nas nossas “prateleiras” das Universidades e Órgãos de Pesquisa, informações suficientes para podermos acompanhar essa evolução e, para dar uma ajudinha, o BeefPoint tem desempenhado muito bem o seu trabalho, ajudando a pecuária nesse Brasil afora e acredito, fora dele também.
    Parabéns pela reflexão.
    Forte abraço,
    Samuel Oliveira

  19. Miriam Romero

    29/10/2014 at 11:39

    A pecuária brasileira tornar-se-á semelhante a americana, ou deveria, no que diz respeito a gestão. No lado da produção, o nosso clima aponta para diferentes sistemas produtivos. Nós temos mais luminosidade, temperaturas mais altas, não temos neve, o que nos proporciona maior possibilidade de produção à pasto. Podemos suplementar e ou confinar e ou os dois em momentos pontuais.

  20. Elenir Gregório da Silva

    29/10/2014 at 13:31

    Nós fomos criados em um cenário de muito pasto, grandes extensões de terras e não estamos acostumados a trabalhar dentro de uma manga de confinamento. Teremos pela frente um aprendizado muito grande, mas não tem outro caminho é pegar ou largar. Vamos nessa.

  21. Carlos Massambani

    29/10/2014 at 13:58

    Bom dia,

    Caro Miguel, muito interessante sua análise.
    Na minha opinião, o que vai crescer muito no Brasil será a eficiência de produção, sistemas intensivos principalmente na região Sul (terras caras), seguidos pelo Centro Oeste com menor intensidade. Na região Norte o sistema seguirá a pasto (na maioria) com alguma suplementação no final da engorda.
    A qualidade da carne é um dos principais fatores de consumo no Brasil (Baixa qualidade, não tem maciez). A base do nosso rebanho é nelore, mesmo com o avanço dos cruzamentos ainda estamos longe de competir com carne macia como nossos vizinhos. O consumidor Brasileiro segue comprando gato por lebre nos açougues, e se irrita com isso.
    Na questão de gerenciamento, temos muito que aprender principalmente com a Nova Zelândia.
    Mas enfim poderemos ser um dos grandes ofertadores de carne bovina no Mundo, mas temos que correr, pois estamos muito atrasados ainda.

    Abraço

  22. carlos viacava

    29/10/2014 at 14:19

    Nossa maior diferença com os USA é o clima. Nas regiões frias o confinamento é a única opção: ou confina ou confina.
    Além disso temos no Brasil o programa da ILP e milhões de hectares de pastagens degradadas. É um dado exclusivamente brasileiro e que está se transformando numa fantástica opção para terminação de bovinos. Veja, a ILP é uma ação boa para os dois lados: boa para o pecuarista tradicional e boa para o lavrador que também pode tirar excelente proveito.
    Por isso concordo com você que não somos iguais aos USA, mas que vamos evoluir muito em confinamento, ILP e automação.
    E não se esqueça: o boi de capim, da carne mais saudável e saborosa, vai ter sempre lugar na mesa de quem se preocupa com qualidade e segurança alimentar.

  23. Roberto Mesquita

    29/10/2014 at 14:33

    Acredito que o modelo de negócio ideal para o Brasil, definido regionalmente safra a safra, passa pela incorporação da recria à fase de cria, em sistema de produção flexível, variando do pastejo rotacionado nas águas para o semi-confinamento na estiagem, fazendo um desmame precoce com creep-feeding com evolução natural para um semi-confinamento dos garrotes a partir dos 300 à 360 kg. A terminação à pasto é incorporada ao confinamento, confinando-se lotes crescentes de bois à partir das 14 à 15@, em regime de desafios para obtenção da máxima agregação do lucro líquido em função de ganhos de produtividade e dos preços de comercialização.

  24. Marcelo Boskovitz

    29/10/2014 at 15:07

    Boa tarde Miguel!Parabens pelo árduo trabalho desenvolvido com objetivo de fomentar a discussão e apresentar novos enfoques sobre a nossa atividade tão tradicional na produção e no modo de comercializar!
    Mas o meu comentário será um pouco futurista como alguns temas já abordados neste site,qual seria a visão de todos vocês leitores sobre uma eventual e gradual mudança na matriz energética?explico melhor vamos pensar que os USA estão cansados de tanto gasto com segurança e decidem diminuir a pressão sobre o consumo de petróleo importado decidem baixar o petróleo so 20%!!!Pergunto a todos;como ficaria o milho?E o preço do complexo das carnes no médio prazo?Sera o etanol viável ainda?eps veículos hibridos?Afinal todos lembram do surgimento do FAX depois celulares agora celulares fazem tudo…….evolução rápida e o boi pra sair da forma da vaca para o espeto serão necessários 3 anos para poucos ,4 a 4 e meio para a grande maioria !Gostaria de ler opinião dos colegas sobre o assunto!! Forte abraços a todos os amigos lutadores por um Brasil melhor!!!!

  25. Silvio thomaz

    29/10/2014 at 15:13

    Miguel, bom dia. Diante deste cenário da pecuária brasileira, eu te pergunto: A pecuária de ciclo completo sera a mais lucrativa. Obrigado e parabens pelas suas analises.

  26. Emilio Macedo

    29/10/2014 at 15:19

    Concordo quase que plenamente menos na parte que leva em consideração mão de obra especializada, hoje nós temos empresários criadores e invernadores, poucos conhecem manejo de pastagens e bois; se partirmos agora para implementar novidades em máquinas e especialistas para esta parte, deixamos a ponta principal de fora, que é a produção do terneiro, esta sim tem que ter incentivo.

  27. PAULO CESAR BASTOS

    29/10/2014 at 17:29

    Prezado Miguel Cavalcanti

    Mais um artigo oportuno e de agradável leitura com análise realista e objetiva, mas com idéia positiva na busca da solução criativa para o futuro da pecuária brasileira. Valeu.

    Acredito, no entanto, que um país continental e de clima diversiicado , como o Brasil, poderá trilhar mais de uma nova estrada para a boiada. A nossa comitiva tem muitos rumos para chegar ao melhor destino, forte e ativa.

    O boi verde da engorda a pasto deverá continuar, ainda por muito tempo, como o exemplo de algumas áreas do Sertão Nordestino, vez que na caatinga quando a chuva é generosa a engorda é primorosa, mas a carne do boi de confinamento ou do semiconfinamento deverá ter uma participação cada vez maior no mercado. A percepção desse novo caminho já é muito forte, em todo o Brasil.

    Posto isso , precisamos admirar os bons exemplos, as inovadoras tecnologias e as produtivas metodologias.Inovar é preciso. Assim, a pecuária dos EUA tem muito a acrescentar ao nosso modo de produzir. Mas, apesar da inevitável globalização, as diferenças culturais dos nossos rincões produtivos trópicais precisam ser levadas, também, em conta. Portanto, o caminho não é somente replicar o sistema americano, mas reaplicar a gestão competente e a inovadora tecnologia com a necessária adequação e criteriosa adaptação às nossas diversas características regionais.

    Vamos continuar e avançar com esse bom debate, trabalhando com entusiasmo no presente, motivados para melhoria do futuro e compartilhando conhecimento em busca do desenvolvimento. Não se constrói nada sozinho.

    Saudações sertanejas para todos

    Paulo Cesar Bastos
    Engenheiro e produtor rural

  28. NASSER IUNES

    29/10/2014 at 19:14

    Olá Miguel. Como sempre um artigo interessante e pertinente ao momento que vivemos. Tenho nos últimos cinco anos, de forma auto didática, procurado estudar como fazer uma pecuária profissional e compatível com este “recente” cenário que exige, cada vez mais, eficiência. Dentre tudo que você colocou a tradução é que necessitamos, acima de tudo, Gestão, Escala de Produção e Produtividade. Em recente viagem ao EUA com um grupo de técnicos e produtores tivemos a oportunidade de “enxergar” praticamente tudo que você descreveu. É bem verdade que na maioria das situações não podemos desprezar nossas vantagens competitivas, como exemplo onde exercemos nossa atividade próximo ao Paralelo Oito, no norte do TO e sul do Pará. Temos luminosidade em abundância, dias mais longos e ausência de baixas ou até medias temperaturas, aliadas ao solo e outras particularidades. Temos a convicção que muitos ainda sairão da atividade, principalmente por desconhecimento da Gestão e Planejamento do seu negócio. Na EXPOCORTE realizada em Araguaína no estado do Tocantins determinado palestrante disse acreditar que 80 % dos pecuaristas saírão do ramo até 2022, acho muito mas que parte disto é verdade não resta duvida. Isto posto, como desconsiderar a produção de massa forrageira (capim) que de longe é mais barato que tratar no cocho, acredito entre outras, nesta diferença. Para prever melhor estes cenários tenho trabalhado em um modelo matemático para identificar de acordo com os índices zootécnicos e de ocupação, produção e preços, mediante rentabilidade, a viabilidade da atividade de ciclo completo. A pergunta, melhor, as perguntas são: Vamos nos especializar como eles o fazem? Até qual escala esta especialização seria necessária? Qual o nosso futuro com relação a esta necessidade?

    • Hugo da Costa Porto

      03/11/2014 at 07:29

      Nasser concordo com suas colocaçoes,começamos a ter uma mudança no comando de empresas rurais e nao
      mais “fazendas”,adotando nova gestão revolucionando a produçao de proteinas vermelhas no Brasil.
      ainda assim com roda essa alavancagem da produtividade (hoje na regiao do Ananas desmamamos
      bezerros F1 com 8 @ e mantemos na seca uma ocupaçao de 1.8 UA por /ha e abateremos com apenas
      20 meses animais com 18@ sem sal proteinado apenas o mineral convencional de qualidade)acredito
      que haverá sim um enxugamento de terras para pecuaria,na minha regiao ja chegou a soja e não é
      vocacionada para isso,levando a uma mudança no perfil da pecuaria Brasileira.Acredito que em breve
      deveremos chegar a um patamar de confinamento muito acima de 20% de todo nosso desfrute.Seria
      preciso uma politica bem organizada por parte do governo,induzindo,fomentando a produçao de graos
      para esta atividade.
      Bom dia.

  29. Eduardo Graciano Pereira

    29/10/2014 at 21:20

    Boa noite Miguel , você acha que teremos engorda de machos leiteiros (holandeses puros) no Brasil ?

    • Miguel da Rocha Cavalcanti

      30/10/2014 at 03:55

      Olá Eduardo
      Sim, acredito que em breve teremos mais gente fazendo engorda de machos leiteiros holandeses.
      Abs, Miguel

  30. Paulo césar Dias Thomazella

    29/10/2014 at 21:32

    Parabéns pela matéria.Gostaria de sugerir a todos que realizaram comentários e muito bem objetivos por sinal,sentindo o alto nível em que o Brasil se encontra e encontrará daqui para frente.A Embrapa realizou um programa mais leite e mais carne em bovinos neste ano.A população mundial atualmente é de 7 bilhões de habitantes e em 2050 deverá chegar a aproximadamente 9 bilhões de habitantes,portanto precisaremos aumentar a produção de alimentos tanto de origem animal como vegetal.O Brasil daqui 10 a 20 anos será o maior exportador de alimentos do mundo.Tecnologias como Integração-Lavoura-Pecuária e reflorestamento estão vindo a todo vapor.Isso tudo será fruto de um povo guerreiro que mesmo passando por tantas dificuldades poderá ajudar melhor nossos irmãos pelo mundo todo.Que DEUS abençõe a todos e que possamos fazer sempre o melhor para o nosso país e por todo o mundo.
    Felicidades a todos e sucesso sempre.

  31. Paulo Tchujo

    29/10/2014 at 22:01

    Artigo muito bom.
    Concordo plenamente.

  32. Flávio Erbas

    29/10/2014 at 22:19

    Muito bom tema.

    Isso tudo temos vivenciado, já acredito.

    Quanto ao sistema de um animal sair da desmama e entrar em um confinamento, acredito ser possível sim a qualquer momento, o que falta para isso é o Frigorífico remunerar por isso, pois a mercadoria para eles é muito interessante, mas eles não remuneram o produtor para a entrega deste animal com qualidade diferenciada, o que torna para nós inviável pois se abatermos um animal de 3 4 ou 5 anos pesando menos de 25@ e um super precoce qual a diferença que vamos receber hoje??? nenhuma.

    Em contra partida ao animal confinado, temos o @ de pasto, que segundo muitos é produzida de forma muito barata, aqui na nossa região ainda temos muitos Produtores um com mais de 100.000 animais que abatem esses animais a pasto com 4 anos de vida ou mais animais com 23, 24@ ou mais, ai a pergunta ficou barata? o bom que são admirados por muitos.

    O que falta ao produtor é GESTÃO, aprendemos a trabalhar e não a gerir, essa aula nós não tivemos e se tivemos faltamos.

    A falta de gestão nos leva a ineficiência, em comprar esse bezerros com ágil, por carne nessa carcaça e termos lucro, ou em tratar animais em fase de recria, o que comummente ouvimos a famosa frase “É MUITO CARO ISSO, AI A CONTA NÃO FECHA”, somos muito ineficientes ainda, mas o pessoal parece estar acordando para isso.

    Hoje tem muitos produtores animados com o preço do bezerro, aqui se compra um anima de 180 a 200 kg na faixa de R$900,00 a R$1000,00 (passou um pouco a febre dos R$ 1000,00) , e os criadores estão rindo a toa, mas ainda não sabem o quanto custa esse bezerro para se produzir.

    Temos aqui como em todo lugar, um problema com mão de obra, onde hoje não se acha gente para trabalhar ainda com remuneração acima da média da região, e sem exigir nada em qualificação, se for partir para pessoas qualificadas vai ser como achar uma agulha no palheiro, você disse que nos EUA os vaqueiros são na maioria Mexicanos, aqui na minha região pelo fato de estarmos próximo a Bolívia tem muita propriedades trabalhando com Bolivianos. Acredito ter que investir muito para maximizar o tempo do pessoal.

    temos muito a aprender e por em prática ainda.

    • marcio luis santos brito

      30/10/2014 at 09:33

      Ola miguel
      Sou pecuarista (iniciante)na caatinga baiana,com todas as adversidades climaticas.Estou recebendo os teus comentarios diariamente e te confesso nos coloca a ver um horizonte diferente.Quero te parabenizar e dizer que tais comentarios estao tornando para me interessantes e obrigatorios diariamente.Parabens

      • Miguel da Rocha Cavalcanti

        31/10/2014 at 05:07

        Muito obrigado Marcio, pelo baita elogio! Abs, Miguel

    • Marcos Patrus

      30/10/2014 at 18:32

      Concordo em parte com todos os comentários mas ressalvo a degradação das pastagens e a falta de gerência dos pecuaristas no gerenciamento da sua propriedade deixem muito a desejar e a descapitalização ao longo de vários anos sendo só agora conseguem repor o preço do boi. Hoje temos preços favoráveis mas a maioria não tem bois no pasto.Nasser Iunes tem razão em dizer que haverá uma esvaziamento dos pecuaristas ao longo dos próximos anos devido a falta de incentivo, juros altos e informações sobre custos da pecuária.

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  34. Fernando

    30/10/2014 at 09:36

    Miguel, excelente seus comentários e visão de empreendedorismo, são inspiradores. Trabalhei em uma multinacional e semanalmente recebíamos um artigo motivacional, agora na pecuária seus artigos tem sido minha referencia. Quanto ao comparativo Brasil e EUA, na minha região do sul de Minas Gerais, vejo alguns pecuarista começando a suplementar seu gado e recuperar pastagens, outros fazendo a terminação em semi-confinamento ou confinamento, se não, não fecha a conta ou muda para agropecuária. A questão é problemática, queremos ser remunerados pela boa proteína produzida, mas minha opinião é que a maioria da população consumidora não tem condições de comprar uma carne com preço alto, acredito que temos que atender as duas necessidades, um consumidor privilegiado que esta disposto a pagar alto por um produto diferenciado e um consumidor que tem necessidade de comprar um bom produto a um preço acessível, resolvendo isto, não vamos vencer a produzir carne.

  35. Géssica Franco

    30/10/2014 at 09:42

    Bom dia Miguel, primeiro quero parabenizar pelo site e pelos excelentes artigos, sempre leio ao acordar! Sou estudante de Veterinaria e acredito que muitas mudanças importante já estão ocorrendo, e quando eu estiver no mercado de trabalho a pecuária nacional já estará muito mais eficiente! O Brasil é a maior válvula de escape para a exigência do aumento de produção para atender o crescimento da população mundial, no geral ainda somos muito ineficientes, o que por um lado é bom, porque ainda temos uma margem grande para crescimento, diferente dos EUA que já está próximo ao limite. Quanto a mão-de-obra, morei pouco mais de ano eu uma fazenda no norte do EUA fazendo intercâmbio, e o modo que os americanos trabalham na fazenda realmente tem muito a nos ensinar! É incrível ver o quanto de equipamentos e tecnologias tem em uma fazenda tão pequena, e o resultado desses investimentos no aumento de produção. Além do empenho dos donos da fazenda no trabalho manual, que me impressionou muito! Obrigada pelos artigos e continue esclarecendo!

  36. ernesto coser netto

    30/10/2014 at 09:58

    Imaginem um pais que tem clima, solo e agua em condições ideias em quase a todas suas regiões.
    Condição que favorece muito a produção pecuária em pastagens.
    Mas infelizmente este pais sabe tudo sobre produção de pasto, mas não é eficiente em manejar este pasto.
    Para melhor maneja-lo é necessário subdividi-lo, mas esta tecnica não é dominada neste pais.
    Subdividir com cerca convencional tem um custo proibitivo e as tentativas com cerca eletrica tem um grande indice de insucessos.
    Mas por que não está dando certo? Se o custo é muito menor e sabemos que em outros paises do mundo esta tecnica é sinonimo de sucesso e eficiencia.
    Este é o nosso Brasil e o por que não está dando certo é por falta de informação tecnica e tecnologia defasada do material de cerca eletrica vendida aqui.
    Nossos tecnicos sabem de cor quantos PPM de cada elemento da tabela periodica deve ter nosso solo. Mas na maioria não sabem quantos volts minimos são necessários no arame para que o gado respeite a cerca.
    Não sabem quantos joules de potencia são necessários para eletrificar cerca.
    Não sabem proteger o eletrificador de quebras por raios e sobre tensões na rede eletrica.
    Não sabem orientar a construção da cerca em regiões de solos secos e arenosos.
    Eu com quase 20 anos de formado em Medicina Veterinária não sabia.

    Este assunto não é abordado nas escolas e apesar da cerca ser a primeira ferramenta de uma fazenda, não sabemos quase nada sobre o tema.
    Eu aprendi, por que comecei a trabalhar com isto e me deparei com este cenário onde a tecnica é pouco utilizada e nossos tecnicos pouco sabem sobre o assunto.
    A sorte é que sempre tem os bem informados e curiosos e temos hoje muitos exemplos de sucesso no pais.
    Precisamos é replicar estas informações e fazer que este pais abençoado aprenda a ser muito mais eficiente na produção a pasto.
    Com a propagação de tecnologias com ILP e pivos para pasto, forçosamente estamos descobrindo a boa cerca eletrica.
    Podemos piquetear este pais e torna-lo cada vez mais produtivo.

    Abraço.

    Ernesto.

  37. Rodrigo Nachif

    30/10/2014 at 12:34

    Bom acho q parte da nossa pecuária deve e irá para o modelo americano , pois cada vez mais desmamamos bezerros pesados e de qualidade genética superiores , para quem faz animais cruzados e utiliza técnicas de suplementação como as ensinadas por Flavio Resende e Gustavo Rezende , da APTA Colina , conseguem desmamar animais com média de 350 kg . Pronto isso leva o produtor de carne a duas situações na fazenda confinar ou terminar a pasto ??
    Bom para mim não existe outro caminho , fazer as duas coisas porque não acredito em pecuária sem a integração com a agricultura .
    Sendo assim esta explicado o bezerro cada vez mais pesado mais eficiente e mais caro !!!
    Desconfio que por tudo isso , poderemos aumentar nossa exortação de carne sendo que ha tendência de aumento das commodities , então teremos vantagens comerciais favoráveis , justamente por causa do nosso boi a pasto mas pasto de qualidade , viabilizado pela integração com a agricultura. Tudo isso nos habilitará atender mercados bem mais exigentes e para tal , teremos a obrigação de terminar animais cruzados mais jovens e com acabamento de carcaça nos padrões americanos que nos leva ao confinamento .
    Gostaria de registrar que estou na Itália já a um mês e foi aqui em Frosomone que um amigo conseguiu com um açougueiro um corte de picanha , o que para mim parecia um milagre , mas o fato é que simples assim foi a melhor mais saborosa e bonita peça de carne que já vi e comi na vida sem falar na bisteca Napolitana que servem com até 2 quilos uma delicia ..
    Sou pecuarista no MS e tudo que disse realmente é oque comecei a fazer em minha propriedade em Campo Grande.

  38. Adriano Sacramento

    30/10/2014 at 14:32

    Concordo Plenamente com suas colocações, a tendência da pecuária brasileira é essa.

  39. Douglas Kicke Basaia

    30/10/2014 at 14:33

    Boa tarde,Achei o tema muito interessante,mas acredito que é possível nos aproximarmos do sistema americano por três principais motivos:
    1º Os bezerros destinados ao corte estão cada vez mais escassos e mais caros e no futuro a minha opinião é que as propriedades que criam animais a pasto vão voltar as suas atividades somente a cria e talvez a recria.
    2º A cada safra batemos um recorde de produção que dá abundância de produtos e preço mais acessível.
    3º a demanda por carne em quantidade e principalmente em qualidade,leva os pecuaristas ao confinamento para agregar valor aos seus animais.
    Por estes motivos isto me leva a crer que a longo prazo vão sair bezerros da fazenda de origem e vão para os confinamentos terminar sua cria e iniciar sua terminação,ficando cada vez mais precoces,e os produtores terão de se adaptar a isso e aperfeiçoar o sistema.

  40. Marcos Patrus

    30/10/2014 at 18:32

    Concordo em parte com todos os comentários mas ressalvo a degradação das pastagens e a falta de gerência dos pecuaristas no gerenciamento da sua propriedade deixem muito a desejar e a descapitalização ao longo de vários anos sendo só agora conseguem repor o preço do boi. Hoje temos preços favoráveis mas a maioria não tem bois no pasto.Nasser Iunes tem razão em dizer que haverá uma esvaziamento dos pecuaristas ao longo dos próximos anos devido a falta de incentivo, juros altos e informações sobre custos da pecuária.

  41. Ricardo

    30/10/2014 at 19:37

    Acho que nós pecamos aqui no Brasil principalmente na recria, a falta de tecnologia é grande, ainda temos agricultores pequenos e médios que não tem acesso a ela, ou se tem não tem condições para bancar os custos da mesma… Temos ainda o efeito sanfona imperando pelo território.

  42. Gabriel Toledo

    30/10/2014 at 22:45

    Excelente texto. Em muitas regiões do Brasil esse caminho já está sendo seguido e se tornara tendência natural em todo o país.

  43. Miguel da Rocha Cavalcanti

    31/10/2014 at 06:01

    Ainda pensando em pecuária dos EUA, ontem eu me lembrei que o preço do milho (que baixou muito por lá esse ano) fez com que o preço do bezerro subisse muito esse ano. Explico: com o milho muito mais barato, o preço que os confinadores podiam pagar pelo bezerro aumentou, e o estímulo para confinar aumentou.

    Será que isso já acontece aqui no Brasil? Será que a queda no preço do milho já influencia no preço do bezerro aqui no Brasil? A diferença dos EUA é que a quase todo gado lá é confinado, aqui o percentual é de cerca de 10% do volume abatido anualmente.

    Queria muito ouvir sua opinião sobre isso.

    Muito obrigado pela companhia. Um grande abraço, Miguel

  44. Pingback: Será que isso já acontece na pecuária brasileira? - Miguel da Rocha Cavalcanti

  45. Gentil José Martin Fernandes

    31/10/2014 at 08:23

    Miguel bom dia,

    Sabe-se que a mão-de-obra qualificada no Brasil esta cada vez mais escassa. assim, é necessário investir em tecnologias e máquinas que possam substituir parte desta.
    Partir do princípio em fazer mais com menos, aumentar a eficiência, aumentar a produtividade, aumentar a lucratividade/hectare.
    Eu penso que a realidade do Brasil é diferente dos EUA em relação ao clima e ocupação do solo. Além desta diferença física, temos a diferença de mentalidade que é a principal diferença no que se refere à produtividade a a forma de trabalhar, sem falar em outras questões que não vem ao caso no momento.
    Vejo que o número de animais confinados aumentará, porém o nosso sistema de engorda prevalecerá no pasto, uma vez que é nossa cultura e nossa aptidão e o que faz nosso diferencial de competitividade no fornecimento de proteínas para o mundo.

    Um abraço.

  46. Gilberto de Biasi

    31/10/2014 at 10:42

    Sem duvida teremos que aproveitar melhor a carcaça dos bovinos, dado a nao expansao do rebanho, nesse ponto vamos ficar mais parecidos com os americanos que abatem bois gordos com 23@. O caminho mais rapido e mais barato para isso é atraves da heterose, pois esse imenso rebanho de vacas nelores poderia e deveria produzir mais atraves de cruzamento industrial bem feito. O Brasil daria um salto de producao em poucos anos. Veja que o rebanho dos EUA é menos que a metade do nosso e eles produzem mais, sao numeros impressionantes!! o bom disso é que mostra o nosso potencial. Porque desmamar bezerros de 180 kg se podemos desmamar com 230? e esperar 2 anos pra abater se podemos fazer isso no ano seguinte? Nossas pastagens estao ficando cada vez mais nobres por causa da integraçao lavoura-pecuaria e o animal cruzado tem aproveitamento muito melhor que o zebu quando a qualidade da raçao melhora. É o caminho mais logico, facil e barato.

  47. Marcio

    31/10/2014 at 13:02

    Ótima matéria, e realmente a agricultura e pecuária brasileira estão passadno por uma grande mudança, temos de rever conceitos e assimilar novas tecnologias, muito tenho visto em novos processos produtivos mas vejo que muitos estão aplicando estes processos em animais de rebanhos comum, sem definição de raça ou cruzamento, de baixo valor genético, oque eu acho um atraso, ou ainda utilizando animais de raças com baixa qualidade de carne, ao menos aqui no RS frigorificos ja estão pagando uma boa diferença dependendo pela raça do animal entregue para abate, e isso ocorre em vários setores, ovinocultura, gado de corte, gado de leite.Como citado nos EUA varios frigorificos exigem 50% se sangue de determinada raça europeia nos animais que são abatidos.
    O mercado esta exigindo mais qualidade e o melhor esta pagando mais pela qualidade.

  48. Dr.med. DSc. Sergio U. Dani

    31/10/2014 at 18:14

    Prever o passado é difícil, quanto mais prever o futuro. Então, por favor, considerem minhas previsões com a devida cautela. Os custos da produção na agricultura estão aumentando, e as margens diminuindo, tanto no Brasil quanto nos EUA, por duas razões principais: degradação da base de produção dos ecossistemas e aumento do preço dos insumos, e.g., combustíveis e fertilizantes. É preciso considerar as particularidades socioambientais regionais. Com a degradação ambiental, o aquecimento global e a fertilização pelo carbono, a produtividade agrícola deve diminuir nas baixas latitudes e aumentar nas altas. A continuar essas tendências, o Brasil, de um modo geral, terá uma queda média da produtividade e da rentabilidade da agricultura, com reflexos em toda a cadeia de valor. As regiões mais ao norte dos EUA, de solos podzólicos naturalmente ricos e bem manejados deverão experimentar leve aumento da produtividade. Neste cenário, é pouco provável que a pecuária brasileira, de modo geral, fique parecida com a pecuária americana. Sem desmerecer os nossos progressos científicos e tecnológicos, o que garante o grosso da competitividade da pecuária brasiliera é a extensão territorial e a exploração predatória e especulativa dos nossos recursos naturais: território, solo, água, florestas. Para continuar tirando proveito da sua grande extensão territorial, o Brasil precisa cuidar muito melhor dos seus recursos naturais. Esse é o desafio central brasileiro, sem paralelo no caso norte-americano. Se nossos problemas são diferentes dos problemas dos norte-americanos, está claro que as soluções serão diferentes. Devemos apostar no ordenamento ambiental, melhor gestão das bacias hidrográficas, certificação ambiental, genética ‘thrifty’, tecnologias de baixo custo e baixo impacto socioambiental. Existem maneiras inovadoras de tirarmos proveito das mudanças socioambientais que estão acontecendo, mas elas dependem, obviamente, da nossa capacidade de enxergar o que está acontecendo, e agir a tempo.

  49. Mário Pinto Furtado

    01/11/2014 at 18:21

    É importante saber que vai haver mudança de modelo de pecuária, referindo o Brasil aos EUA. Possuimos uma grande área agrícola na produção de grãos passando de uma pecuária extensiva para intensiva através da integração com a lavoura e o processo de confinamento.Existe um grande déficit de proteína animal no mundo considerando que esta diminuindo área destinadas pecurária de corte, precisará da evolução tecnológica e melhoramento com a suplementação animal, assim reduzir o rebanho e aumentar a produtividade.A grande dificuldade é produzir bezerros, reduzindo todos os custos adicionais relacionados as mudanças climáticas no sistema a pasto, referindo também o valor da terrra.Obrigado

  50. Dais de Fátima Carvalho Ribeiro

    02/11/2014 at 00:20

    Concordo com seu Artigo.É um incentivo pro pecuarista que quer se atualizar no mercado.Agradeço a oportunidade de poder participar do Curso.

  51. Neilton Prado

    04/11/2014 at 19:54

    aprecio muito seus artigos, não só pelo conteúdo programáticos como também a sinceridade, transparência e honestidade nas palavras que você as utiliza com maestria. “never give up” Neilton

  52. Reinaldo Caetano da Silva

    08/11/2014 at 19:08

    Miguel,
    Boa tarde.
    Concordo plenamente com sua colocação, bem como muitos comentários colocados.
    Creio que a pecuária brasileira deverá levar um choque de modernismo.
    A distancia que estamos dos frigoríficos nos fazem pensar que eles só querem se beneficiar do nosso gado. Mas na verdade, com honrosas e poucas exceções, produzimos animais de baixa qualidade de aproveitamento e cobertura de carcaça, fazendo-os pensar na nossa incompetência, fato plenamente observado por quem fez o ótimo curso em parceria com a APTA.
    Acredito que a nossa pecuária deverá evoluir sem seguir padrões de outros países. Vamos evoluir explorando características que são particulares ao nosso país, tais como IATF, ILP, adubação de pastagens, confinamentos tradicionais e a pasto dentre outras, levando-nos à criação de mais um produto “gourmet” – a carne.
    Acho que esta evolução será benéfica a todos: o pecuarista, frigorífico e principalmente o consumidor.
    Finalmente, parabenizo pelo serviço que vocês tem feito pelo nosso negócio.

  53. Ralpho Faria Braga Júnior

    12/11/2014 at 17:30

    “O confinamento ainda deve crescer bastante no Brasil, mas dificilmente teremos um sistema que sai da desmama direto para o confinamento.” você disse. Não Concordo de maneira alguma. Inclusive a princípio me parece que esta afirmação vai em direção oposta ao resto do cenário por você tão bem descrito Miguel. Então vejamos: com a valorização do bezerro, teremos ( ou melhor já estamos tendo) incentivos para a melhor tecnificação da cria, que deixa de ser o patinho feito da pecuária e passa a ter uma melhor rentabilidade. Quanto mais lucro, mais investimentos, processos, ciclos de aprendizado.. etc. Resultado: bezerros mais carcaçudos encurtando o ciclo de recria, justificando ágio de até 40%; com bezerros mais pesados, maior lucro! Bom para o criador. E quanto ao invernista? Este simplesmente paga a conta? Lógico que não é tão simples assim. Esse passará a exigir qualidade em carcaça encurtando seu “tempo de recria” que paulatinamente evoluirá para “período de adaptação”. Justamente devido à maior tecnificação de processos como da suplementação ou super suplementação no período da cria! Se então não saírem da cria para o confinamento, será questão de 30 ou 60 dias a pasto para a adaptação, passando a seguir para o sistema de engorda adotado pelo terminador(talvez confinador)! Esta é minha visão. Abraço e parabéns pelo cenário Miguel.

    • Miguel da Rocha Cavalcanti

      12/11/2014 at 23:51

      Muito obrigado Ralpho, pelo comentário. Posições contrárias, colocadas em alto nível como a sua, são muito benvindas!
      Abs, Miguel

  54. acir carlos ochove

    02/01/2015 at 13:44

    Meu caro Miguel, fui tentado diversas vezes, agora não resisti. Toda pecuaria vai, numa escala de produtividade, do ponto mais fraco ao ponto mais forte.Conhecemos as variaveis, raças, nutrição, administração do rebanho, vendas, rendimento de carcaça, qualidade dos recursos humanos envolvidos, qualidade da terra, ciclos das chuvas, e muitos outros. Certo dia tomei conhecimento de comentario de tecnico argentino que afirmava com todas as letras ” quando os brasileiros descobrirem a genetica vão dobrar a sua produção”; outra declaração que fiquei abismado foi que menos de 3% dos pecuaristas brasileiros produziam bezerros atraves da inseminação artificial. Assim, com toda expansão da agricultura sobre as pastagens, ainda temos um espaço fantastico a percorrer. Recentemente foi publicado em semanario, que no RS, apos adubação e irrigação subterranea (que não consegui saber até hoje de que se trata)foi conseguido taxa de ocupação de mais de 10 cabeças por Ha, em pastejo rotacionado. Os desafios da produtividade nos agridem diariamente. A rentabilidade do campo,(bovinocultura) se considerada no seu ambito total é uma vergonha nacional. Tecnicos se negam a fazer calculos dada a sua insignificancia, dando sempre informações sobre a valorização da propriedade em moeda nacional. Lentamente, alguns filhos de proprietarios assumem postura de empresarios, no mais, a marcha é devagar quase parando, salvo algumas experiencias maravilhosas, só para confirmar a regra. Temos a terra,alguma pastagem, temos a base reprodutiva nelore em todo o teritorio nacional, os nossos produtores insistem em produzir bezerros com touros, muitas vezes originados no proprio rebanho, sou seja de pessima qualidade. Quando consultados da viabilidade da inseminação, mesmo mostrando a vantagem na obtenção de cruzados precoces, onde se abate até com 18 meses, só desculpas, as mais esfarrapadas, e tudo continua como está. É um caminho arduo esse da pecuaria, ainda bem que pode contar com pessoas como voce , Miguel, incansavel, dedicado,e principalmente otimista, abraços

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