Texas A&M University – saiba mais sobre a pecuária texana e americana #viagembeef

Por em 22 de março de 2013

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Apesar da quantidade de confinamentos, “a pecuária no Texas é baseada na produção em pastagem” disse Jason Cleere, professor e extensionista da Universdade Texas A&M (agriculture and machinery). O bezerro fica 70% da vida no pasto e somente é terminado em confinamento, porém a percepcão da sociedade é que 100% é confinado, “e não é”.

A agropecuária texana gera anualmente US$10,5 bi, e 50%  disso vem da pecuária de corte. Desta forma, é a segunda maior atividade do estado, a extração de óleo e gás (petróleo) é a primeira. Apresentando os números da pecuária do Texas, vimos que o Estado possui o maior rebanho nacional, representando 14,3% de todo rebanho americano, e 22% do rebanho confinado dos EUA também está no Texas.

A pecuária por lá também é dividida em cria, recria e engorda (em inglês cow-calf, stocker e feedlot/feedyard respectivamente). O peso médio de cada categoria gira em torno de 225kg na desmama (500 lb), 400kg no final da recria (600 a 900 lb) e abate com 550kg (1.000 a 1.400 lb).

Como preço de venda médio, são US$800 para os bezerros de 225kg (500 lb, US$1,60/lb), US$1.120,00 para garrote/boi magro de 340kg (750 lb, US$1,50/lb) e US$1.600,00 para o boi gordo de 540kg (1200 lb, US$ 1,3/lb). Em arrobas, o boi gordo atualmente nos EUA está valendo em torno de US$80,00 ou R$160,00.

Segundo Cleere um terço da cria vai direto para o confinamento (classificado como super-precoce no brasil), porém este processo varia conforme as condições climáticas, dos pastos e dos preços do grão e do boi gordo. Em 2011 e 2012 por exemplo, houve maior número de produção de super-precoces, porém atualmente com o elevado preço do milho, a recria a pasto é mais interessante.

Outros pontos citados foram que entre as atividades, o proprietário dos animais são diferentes. Os pecuaristas de cria, recria e engorda não são os mesmos. Além disso, somente um terço dos pecuaristas americanos fazem ciclo completo.

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Passando da produção dentro da porteira para fora, Cleere contou que os quatro maiores frigoríficos dos EUA abatem 60% do total anual do país, situação mais concentrada do que no Brasil. Nos EUA existem leis limitando este total de abate, porém há maneiras legais de contornar a legislação.

Continuando em direção ao produto final, o professor disse que é preciso valorizar a cadeia produtiva “do campo ao prato” desenvolvendo a verticalização da produção. Ele prega este posicionamento argumentando que a carne bovina é um “produto caro, deve ser de alta qualidade e a segurança alimentar deve ter prioridade”.

Desde a cria, os desafios já começam: fazer o casamento entre a vaca e seu ambiente e de seu bezerro com o mercado. Cleere cita o programa da carne Angus como exmplo e questiona o criador: qual seu mercado demandante, qual o rendimento necessário, qual o frame animal ideal e qual a qualidade buscada?

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Em outro exemplo (foto) de uma boa fazenda no nordeste do Texas, ele mostra uma vaca brangus de dois anos pesando 550kg com seu bezerro charolês ao pé que será desmamado com 320kg. Para qual mercado este animal será direcionado? Como deve ser o sistema produtivo desta fazenda?

Cada pecuarista deve avaliar sua propriedade, sua localização e oportunidades do mercado. A variação ambiental é alta no Texas: a taxa de lotação média do rebanho é de 01 vaca/20ha com 250mm anuais, e esta fazenda da foto trabalha com menos de 01 ha/vaca e tem 1000mm de chuva.

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Outro ponto destacado e bastante interessante na palestra foi como é a distribuição de fazendas nos EUA: 90% das fazendas e 50% do gado estão em fazendas com rebanho de até  99 cabeças. E como consequência desta pulverização, Cleere comentou que existem grupos de venda formados por estes pequenos produtores para ofertar em leilões locais ou regionais.

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Questionamos quais as possíveis causas para esta situação, e Cleere respondeu que a propriedade de ranchos por hobbie (lazer) e para aproveitar benefícios tributários é bastante utilizada. Pois a terra produtiva tem tributação menor.

Em relação ao rebanho nacional, Cleere mostrou um gráfico com o rebanho de vacas e bezerros indicando sua grave redução nos últimos três anos devido à seca. Houve liquidação de animais por falta de chuva e consequentemente de pastagem. Atualmente o rebanho total americano está em seu menor nível desde meados do século passado.

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Finalizando a palestra, o professor mostrou o número de registro de animais puros por raça nos EUA em 2011 (portanto, os números mostrados não representam o rebanho total da raça). Entre o grupo genético britânico, a raça Angus fica com 70% dos animais registrados (283 mil) entre Hereford, Red Angus e Shorthorn.

Nas raças continentais, o Charolês é o mais utilizado seguido por Simental e entre as raças sintéticas zebuínas a Brangus tem maior representação entre Brahman, Beefmaster e Santa Gertrúdis.

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Esta palestra aconteceu durante a #Viagembeef ao Texas em nossa visita à Universdade Texas A&M (agriculture and machinery) em 03/mar. Tivemos a apresentação da universidade por Jason Sayer e uma breve palestra de Tom Weisch sobre fisiologia reprodutiva nos EUA.

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