O futuro de quem tem o seu negócio alicerçado em compra de Bezerros

Por em 6 de janeiro de 2010

Prezados amigos,

Notícias veiculadas no BeefPoint [06/01/2010], nada animadoras sobre a atividade de cria: Mercado de boi em ritmo lento, bezerro tem forte queda

”O indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro MS à vista foi cotado a R$ 578,95/cabeça, com forte desvalorização (-R$ 23,00). Assim a relação de troca sofreu forte alteração subindo para 1:2,19.”

Tenho acompanhado o assunto há algum tempo, afinal nosso negócio estava voltado para essa atividade, e somente há 2 anos, a atividade teve uma recuperação nos ganhos com venda de animais desmamados.

Os recriadores, em geral mencionam que os preços dos bezerros sempre estão altos.  O problema é que a cadeia é predatória. No topo estão os frigoríficos, logo abaixo os recriadores/invernistas e nós criadores na base servindo de alimento a todos eles.

Tínhamos (até 08/2007) nossa operação extremamente controlada, e em qualquer situação era muito difícil obter lucro com cria, a não ser que se aproveitasse pelo menos 50% das fêmeas produzidas, para reposição no próprio plantel. Estas fêmeas deveriam parir sua 1ª cria até os 28m, caso contrário era prejuízo certo. Com a venda das matrizes que estariam sendo substituídas pelas fêmeas jovens tínhamos o equilíbrio (não é lucro) financeiro da operação.

Produzir bezerra desmama custa o mesmo que um macho desmama, mas na hora da venda, o macho é valorizado entre 20 e 30%. O que se ganha eventualmente na venda dos machos mal cobre o prejuízo com a venda das fêmeas. Após a desmama os animais (machos ou fêmeas) dão muito pouco trabalho, ao contrário do período em que mamam… 

Vozes se levantarão, para mencionar que existem outras saídas, tais como, melhorar os índices produtivos, genética aditiva para aumentar peso a desmama etc… Testamos todas elas, e todas também apresentam custos adicionais, que no final matam as eventuais vantagens obtidas, pois os compradores vem com a cabeça feita para ganhar na aquisição da reposição, e todos invariavelmente apresentam como argumento o valor médio de mercado por animal.

Fingem não se importar com o tipo de animal que lhes seja apresentado. Exemplificando: O valor que estão dispostos a pagar é o do macho referência de mercado, ou seja R$ 560 por um animal de 8 a 12m com 165kg.

Nossos animais e o desempenho do manejo não deixavam nada a desejar, pois sem aditivos alimentares a não ser capim e mineral branco conseguíamos : 1º filho aos 28m, 1 bezerro por vaca, a cada 13,5 meses, mortes até a desmama 1,6%, Femeas 7,7m 183kg – Machos 7,7m 194kg

Quando lhes apresentávamos animais desmamados aos 7,7m com 190 a 200kg, eles (compradores) continuavam com a conversinha mole de que o valor de mercado é R$ 560… Fingiam não entender, que os animais ofertados não são os mesmos que os de referencia… possuíam pelo menos 30kg a mais, genética aditiva, manejo sanitário que preservava seus intestinos, para a completa conversão do capim que comeriam em carne de boa qualidade, e o principal: poderiam ser abatidos com 17 a 18 @ aos 24 meses.

Em geral nossa vontade era venda por kg, ou seja o valor da @ referencia, dividida por 165kg,  encontrado este valor, pesa-se cada animal e multiplica-se pelo valor do kg encontrado. Era uma oferta justa, afinal se pagaria somente pelo que se estaria levando…   Cada venda era uma guerra… desgaste desnecessário se levada em consideração as vantagens que os animais ofertados ofereciam.

Possíveis saídas (criadores) seria a adoção de um dos procedimentos abaixo isoladamente, ou os 2 em conjunto:

1 – Inseminação sexada de macho (90% de nascimentos machos, mas ainda com custo relativamente alto, e manejo mais trabalhoso).
2 – Reduzir o nº de matrizes a metade, recriar, engordar e abater seus animais; todos os animais que "seguramos" até os 24 meses nos deram margem de ganho proporcionalmente superior a venda por ocasião da desmama.

Os clientes de bezerro desmama, estão cavando seu próprio túmulo, pois a cada dia mais e mais criadores abandonam a atividade, passam de criadores a recriadores, aumentando a procura por animais que anteriormente eram fornecidos por eles. Como conseqüência os preços sobem, e no único momento em que o criador pode ter algum ganho, o mercado se vira contra ele e o ameaça com boicote as compras.

Não tenho conhecimento de que, recriadores em algum momento, tenham  voltado para a atividade de cria, a razão é simples: mais trabalho, maiores riscos, e em geral os ganhos finais não são animadores.

Portanto, se o justo equilíbrio da cadeia não for encontrado, os que desejarem continuar na atividade (recria/engorda) terão que produzir seus próprios bezerros, pois num futuro próximo não mais terão onde buscar tais animais.

E somente após criarem seus animais, poderão ser chamados de criadores de gado de corte, e sentirão na pele quanto custa produzir cada um destes “pequenos animais”, e aí veremos se continuam a acreditar que os criadores com seus "ganhos exorbitantes" vão quebrar recriadores/invernistas.

Se a cadeia produtora de carne bovina, não trabalhar em sintonia entre todas as fases, remunerando de forma proporcional os riscos e os custos em cada uma delas, os frigoríficos dominarão tudo, e a pecuária nacional irá se transformar em prestadora de serviço para os mesmos… assim como se tranformou a Avicultura e a Suinocultura (a caminho)

Pensar, planejar e agir…   talvez ainda haja tempo!

16 Comments

  1. Eduardo Fernandes Cardoso

    28/01/2010 at 16:21

    Prezado José Mesquita,
    constantemente, vejo postagem suas de fotos de cruzamento industrial em sua propriedade. E boa parte delas é de Senepol.
    A minha duvida é, os animais cruzados ou mesmo puros são precoces sexualmente, principalmente as fêmeas? E a aceitação de quem compra os bezerros.
    Tenho um pequeno plantel de vacas nelore mas acredito muito no cruzamento industrial, para produzir um bezerro por ano e animais, na desmama, mais pesados.
    Abraço
    Eduardo Fernandes

  2. José Manuel de Mesquita

    28/01/2010 at 16:28

    Prezado Eduardo,

    O assunto é longo, mas por enquanto, te aconselho a visitar o endereço agrocestalto.com.br

    Neste site, voce encontrará muita informação sobre cruzamento em bovinos, com estatísticas e índices sobre a raça nelore cruzada com 16 outras raças.

    Encontrará ainda, muita informação sobre manejo neste tipo de atividade, e muitas fotos sobre cada tipo de cruzamento que efetuamos em nossa propriedade.

    Eu sei que as fotos chamam mais a nossa atenção, mas insisto que seja feita a leitura do conteúdo existente no site, principalmente as que falam sobre o cruzamento e manejo. Afinal, as informações são muito mais importantes que as fotos.

    Quanto ao Senepol, é a melhor opção que encontrei para usar sobre as femeas F1, ou seja as meio sangue (nelore taurina de sua escolha). Não vejo muita vantagem usar Senepol sobre Nelore, ainda assim, qualquer raça cruzada com Nelore, produz animais mais precoces e melhores que Nelore sobre Nelore (não é um problema da raça nelore, e sim o ganho que se obtém com a heterose gerada pelo cruzamento de raças distintas).

    Caso persistam dúvidas (após sua visita ao site), poderemos trocar idéias sobre o tema de forma mais proveitosa.

    Saúde e sorte.

    JMM

  3. Hélcio Sena Pinto

    14/02/2010 at 09:37

    Acrescentaria que os pecuaristas devem se organizar para uma melhor distribuição da oferta e se unir com apoio das entidades de classe para estabelecer um novo modelo de negociação com frigoríficos pois é lá que se estabelece o BALIZADOR do preço da ARROBA. Nõa é queda de braço e sim NEGOCIAÇÃO !!!
    Parabeniso o José Manuel e as ações realmente devem ser eficaz e rapidas .

    Hélcio Sena Pinto

  4. Paulo Westin Lemos

    17/02/2010 at 12:16

    Prezado José Mesquita
    Estamos de pleno acordo, suas colocações são muito claras e oportunas
    Penso que “Em casa que falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Não há como não ser solidário com o criador e reconhecer sua importância e todos os problemas que enfrenta. Acontece que a cadeia produtiva da carne evoluiu quase nada em termos de comercialização nos últimos 50 anos ou mais. Sob um sistema pré-histórico, totalmente arcaico, comercializamos nossos bezerros e animais para abate de uma forma que fatalmente gera perdas principalmente aos elos mais fracos, em maior ou menor proporção dependendo da época. Numa cadeia em que todas as fases, tanto cria como recria e engorda estão trabalhando no vermelho e não é de hoje, é natural que a comercialização ocorra de forma tão competitiva. Da mesma forma que o criador as vezes não tem a qualidade de seus animais remunerada de forma justa, também o invernista muitas vezes sofre o mesmo problema diante do frigorífico e isso tem que acabar pois é predatório não só para o criador mas toda a cadeia.
    Alguns tabus precisam ser quebrados urgentemente em nome da modernização e fluidez da comercialização como por exemplo:
    – comercialização por Kg peso vivo na fazenda (bezerro e abate)
    – adicional por qualidade
    – pagamento à vista (já ocorre mas com custo financeiro alto)
    – associações de produtores que possibilitem a centralização, negociações em escala, padronização de lotes e de preços, tornando o mercado mais transparente e justo.
    Já que a Lei da oferta e da procura é soberana e irrevogável, precisamos ser criativos e até mesmo aprendermos com outros países que estão mais evoluídos, no que for adequado para nós. Organizar e aperfeiçoar os processos de comercialização da forma mais simples possível, poderá trazer redução de custos e valorização justa que são importantes para toda a cadeia.
    Um abraço
    PWL

  5. José Manuel de Mesquita

    17/02/2010 at 12:25

    Prezado Paulo Westin Lemos,

    No final todos tem alguma razão, o problema é que a cadeia continua predatória, independente de quem tem a razão em um determinado momento.

    Infelizmente, o egoísmo é o que norteia as relações entre os seres humanos, e o capitalismo amplifica este tipo de comportamento.

    Cooperativismo, essa é a palavra de ordem… se não nos organizarmos em grupos com afinidades determinadas, nunca sairemos deste circulo vicioso…

    É assunto para ser conversado com mais tempo… estou pensando em escrever algo mais completo sobre isso.

    De qualquer modo, agradeço a atenção pela leitura do texto, e pelo tempo que dedicou a comentá-lo, seus argumentos são totalmente pertinentes.

    Forte abraço, saúde e sorte…

    JMM

  6. Lazaro Severo Rocha

    23/02/2010 at 14:54

    Olá pessoal, boa tarde. Gosto muito das colocações do José Mesquita e o parabenizo pela iniciativa. Confesso que leio todas as suas matérias e me congratulo com sua capacidade de informar com uma linguagem simples e perfeitamente compreensivel pelos pecuaristas. Estou aprendendo com ele e o incentivo a continuar escrevendo suas experiências. Obrigado.

  7. José Manuel de Mesquita

    23/02/2010 at 15:34

    Prezado Lazaro,

    Ao ler sua mensagem, a certeza de que “partilhar” o que sabemos, continuar estudando o que já fizemos, observar e aprender o que os outros fazem, é o pode nos fazer mais “humanos”.

    Partilhar é a contrapartida ao egoísmo, sentimento latente que há em cada um de nós. Partilhar de forma continuada nos dará com certeza um pouco mais de equilíbrio nas relações com nossos semelhantes, tornando nossas relações mais fáceis, produtivas e agradáveis.

    Temos a obrigação de partilhar nossos conhecimentos, afinal não temos como aproveita-lo depois da morte. Após a morte, tal conhecimento de nada vale, a não ser que tenha sido partilhado e sobreviva em outras mentes, que teriam a obrigação de passá-lo adiante.

    A competição desenfreada que enfrentamos ao longo de nossas vidas, dificulta a percepção da importância de “partilhar”. Nos distancia ainda mais da rede de boa vontade que se desperta nos outros quando praticamos este ato.

    Agradeço as palavras de incentivo a mim dirigidas, afinal a diferença entre continuar ou desistir muitas vezes depende um simples elogio, como esse que, me foi feito por você.

    Forte Abraço,

    JMM

  8. Carlos Alberto Meirelles de Azevedo

    01/03/2010 at 22:57

    Realmente, se o criador se iludir com a parceria com os frigoríficos, onde o produtor acaba na mão deste, tal qual aconteceu com os integradores de frango, pode ter certeza: vai sobrar para o pecuarista apenas a “pena”!!!

    Realmente, o bezerro vale quanto pesa. Uso cruzamento industrial com canchim, para justamente desmamar bezerros por volta dos 230 Kg . Evidentemente não posso vende-los pelo o equivalente a 186 kg.A única saída é acabar com o boi magro e colocar no lugar o boi precoce, na base do tripé: genética, bom pasto e suplementação de baixo consumo.
    Parabéns pelo artigo.

  9. Paulo Cesar Bastos

    02/03/2010 at 15:53

    Cinco reflexões de um produtor sertanejo:

    1-É importante uma rede de conscientização, sempre debatendo e mostrando as condições atuais do setor pecuário, para que todos conheçam os problemas e, a partir daí, com o intercâmbio das idéias, surjam os caminhos e as soluções.

    2-É fundamental estabelecer uma articulação pragmática entre todos os integrantes da cadeia produtiva para o estabelecimento de uma política moderna do ganha-ganha voltada para uma modernização e eficiência produtiva, rompendo os bloqueios burocráticos e das análises equivocadas em relação ao agronegócio da carne bovina.

    3-É desafiante para o agronegócio da carne bovina no Brasil equacionar o binômio preço justo x baixa renda. Resumindo, precisamos encontrar o caminho que nos permita uma justa remuneração pela arroba do boi gordo sem onerar e afugentar o consumidor. É difícil, mas não é impossível.

    4-É necessário inovar e modernizar a maior parte dos atuais matadouros frigoríficos da atual condição de simples unidades desmontadoras de carcaça bovina em plantas industriais processadoras da matéria prima boi gordo. A palavra chave é agregar valor aos produtos e aproveitar mais os subprodutos.

    5-É estratégico unir os esforços da atividade privada com os dos poderes públicos- federal, estaduais e municipais- para vencermos o desafio da viabilização de uma atividade tão importante para um desenvolvimento moderno e sustentável do País.

    PAULO CESAR BASTOS é engenheiro civil e produtor rural

  10. José Manuel de Mesquita

    02/03/2010 at 16:39

    Prezado Paulo Cesar Bastos,

    Infelizmente a cadeia é predatória, e infelizmente (novamente) o caminho que todos tem buscado até o momento, é a maximização do LUCRO, nunca se levando em consideração a continuidade da operação, ou a justa remuneração para os segmentos envolvidos… Assim é o Capitalismo existente no Brasil.

    Para o item 1: A maioria dos interessados conhece perfeitamente as condições do segmento pecuário, mas preferem (cada um a seu tempo) maximizar seus ganhos.

    Para o Item 2: Nunca existirá essa articulação, pelo simples motivo: não há articuladores confiávies, ou melhor, que os diversos segmentos da cadeia aceitem como “confiáveis”… Afinal esse papel já deveria estar sendo executado pelas diversas associações de classe existentes (CNA por exemplo). Nunca romperemos os bloqueios burocráticos, pois é através deles (bloqueios) que parte da estrutura de poder sacia parte de sua necessidade de recursos. As análises equivocadas, se iniciam dentro do próprio segmento produtor (cria, recria e engorda), e visam os ganhos de curto prazo… comportamento do tipo de capitalismo colonial existente no país. Não é fácil mudar tal tipo de comportamento, pois é cultural.

    Para o item 3: Para que se consiga alcançar este objetivo, teremos inicialmente que equacionar os itens 1 e 2 comentados acima, além de estendermos tal cultura aos fornecedores de insumos, e conseguir conter a sanha do “ente estado” em nos impor novos impostos. Não quero desanima-lo, mas a meu ver, e pela experiencia de vida que tenho, posso afirmar sem medo de errar, na forma de um trocadilho com sua frase: É difícil não pensar que é impossível…

    Para o item 4: O problema não está na modernização dos atuais “matadouros”, o problema maior é o desaparecimento deles, substituídos pelos atuais frigoríficos, com a modernidade capitalista levada ao extremo, ou seja, estão gerenciados e administrados por especialistas em finanças, os quais buscam o maior lucro possível, tendo ainda a disposição os financiamentos públicos para adquirir os frigoríficos menores, nos tirando as opções de uma comercialização mais democrática… Montam grandes confinamentos que funcionam como pulmão para não pararem os abates enquanto nos apertam para baixar os preços. Não se engane a respeito dos subprodutos, pois eles os aproveitam na totalidade… até o berro do animal na hora do abate serve como alarme para despertar os funcionários desatentos.

    Para o Item 5: Infelizmente o seu pensamento é uma utopia. Veja como agem os administradores deste país (passados ou presentes) municipais, estaduais ou federais… Se você acompanhar nos meios de comunicação o que se passa é impossível acreditar que possa haver algum interesse ou espírito republicano em algum deles… Estamos sós… cada um em seu segmento…

    A única saída possível é o cooperativismo entre os diversos segmentos de uma atividade comum… União entre quem cria, quem recria e quem engorda…

  11. Lazaro Severo Rocha

    08/03/2010 at 14:41

    Olá boa tarde. Estou com a seguinte dúvida:Conclui a estação de monta em 08 de fevereiro, estamos em 08 março, já posso fazer o ultra-som para detecção de prenhês? Se sim, esse método funciona mesmo? Qual as vantagens e desvantagens e o percentual de garantia de prenhês. Se for possível as respostas, desde já agradeço.

  12. José Manuel de Mesquita

    08/03/2010 at 15:28

    Prezado Lazaro,

    Gostaria imensamente de responder as suas dúvidas, mas nunca utilizei esta técnica em nossa fazenda de cria.

    Tais exames deverão ser realizados por médicos veterinários, e com equipamento específico. Há algum tempo fiz uma pergunta a um articulista sobre os custos que envolveriam tal exame, obtive como resposta, que: seriam 2 salarios mínimos por dia(· 15/04/2009 – A ultra-sonografia já é realidade no manejo reprodutivo de gado comercial e elite). Perguntei quantos animais poderiam ser examinados por dia, e obtive como resposta o texto a seguir:

    [18/02/2010]
    José Ribamar de Souza Torres Júnior
    São Luís – Maranhão – Pesquisa/ensino
    Universidade Federal do Maranhão – CCAA/UFMA – Professor Adjunto

    Prezado José Manuel de Mesquita

    O o tempo que se gasta para realizar um exame ultra-sonográfico varia de acordo com o que se espera diagnosticar. Pode variar de alguns segundos a 10 mintutos, considerando um técnico experiente. No diagnóstico de gestação, tem-se que verificar viabilidade fetal (batimento cardíaco) e tamanho (quando há necessidade de verificar idade gestacional). Quando a fêmea está vazia, deve-se perder um tempo maior procurando vestígios de gestação. Se a fêmea é reptidora de cios, pode-se diagnosticar endomentrite analisando espessura de parede uterina ou presença de líquido. Ainda há diagnósticos ovarianos, como no caso de cistos ovarianos em que se deve medir o diâmetro das estruturas… enfim… o tempo que se gasta deve ser o necessário para se realizar um exame rigoroso e seguro. Lembre-se “rapidez não é sinônimo de eficiência”

    Fiquei sem saber ao certo, mas deduzo que na média deverá levar uns 15 minutos por animal, ou seja 4 por hora, em 8 horas de trabalho chegaremos a 32 animais dia. Para um salário mínimo de R$ 510, divididos por 32 animais = R$ 15,92 por animal, sem considerar o custo do deslocamento do profissional até a propriedade.

    Pelo que já li a respeito, 30 dias após a retirada dos machos é suficiente para a realização de tal exame.

    Se o destino das fêmeas vazias for venda, acredito que compensaria tal custo.

    O exame, simplesmente lhe informaria que os animais estão prenhes, e a quanto tempo. Não poderia lhe dar a garantia de que nasceriam bezerros para todas as fêmeas diagnosticadas positivamente com prenhes. Afinal existem inúmeras situações em que poderiam perder sua cria até a hora do parto.

    Se os machos que estavam cobrindo as fêmeas, estavam em boas condições, e em número suficiente para cobri-las, o melhor caminho é o diagnóstico precoce, pois lhe salvaria pasto para criar outro animal mais produtivo.

    É interessante que leia o artigo completo sobre este tipo de procedimento, ele está no BeefPoint onde poderá ser encontrado:
    José Ribamar de Souza Torres Júnior
    São Luís – Maranhão – Pesquisa/ensino
    Universidade Federal do Maranhão – CCAA/UFMA – Professor Adjunto

    Espero lhe ter sido útil,

    Forte abraço, saúde e sorte.

    JMM

  13. José Manuel de Mesquita

    08/03/2010 at 17:37

    Prezado Lazaro,

    O custo provável por animal no critério de 2 salários mínimos ao dia, para os exames de diagnóstico de prenhez, não seria de R$ 15,93 e sim o dobro disso, ous seja:
    R$ 31,84. Considerei no calculo anterior 1 salário por dia, quando na realidade me foi dito que seriam 2 salários mínimos ao dia… Então 2 x 510 = 1020/32= R$ 31,87…
    Desculpe o engano.

  14. Lazaro Severo Rocha

    10/03/2010 at 14:56

    Olá, Jose Mesquita, recebí sua resposta, e muito obrigado pela sua atenção e cordialidade, agradeço de coração. A colaboração do outro amigo, também foi importante, muito obrigado, até breve.

  15. José Manuel de Mesquita

    10/03/2010 at 15:00

    Prezado Lázaro Severo Rocha,

    Nem sempre podemos saber tudo, mas dentro de minhas possibilidades, estarei a disposição.

    Forte abraço,

    JMM

  16. juvenal junior

    13/05/2014 at 17:33

    Prezado José Manuel, estou pretendendo investir na recria de bezerros e gostaria de fazer umas perguntas, como: Qual a época boa de comprar os bezerros desmamados para recriar ? Que idade devem ter 6,7 ou 8 meses ? Quandop for vender, quantos meses devem ter ? Qual a época do ano para a venda ? Minhas perguntas são bem de iniciante, e por ser um iniciante, procurei quem sabe e acredito pode me ensinar. Um forte abraço e obrigado por todas as reportagens que li sobre o assunto.
    Juvenal JR
    DF-Brasília

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