Atenção carne gaúcha!

Por em 8 de março de 2014

Estou neste carnaval atendendo um grupo de pecuaristas australianos visitando o Brasil.
Nosso roteiro passará por criadores, confinamentos e frigoríficos em SP e MS. Esta atividade está me permitindo voltar a recorrer à pecuária destes estados. Pois bem, passados somente dois dias de visitas volto a um tema recorrente para mim: os diferenciais da carne gaúcha. Nos confinamentos que visitamos encontrei muitos lotes com animais Cruza Europeu e até alguns com animais quase Europeus puros, sendo principalmente genética Angus e em segundo plano influência Hereford.

Gado Cruza Angus em confinamento de SP

Qual a minha leitura deste fato?

Não é mais exclusividade do RS (e já faz algum tempo) produzir carne de animais de raças britânicas e assim explorar com consistência que nosso produto é bastante diferente (e superior) da carne produzida no resto do país em função das raças.

O volume de carne de animais com influência de genética “britânica” produzida fora do RS já é bastante grande e logo pode superar a nossa produção (considerando somente animais jovens, destinados  a programas de qualidade, etc.). O sistema de terminação mais usado é a engorda em confinamento e assim a maioria dos animais que competem com os nossos produto são mais jovens e mais bem terminados, o que nos leva a carne mais macia que a média produzida por nós.

Não há como frear este processo, pois os confinadores usam mais e mais animais cruzados em função do maior desempenho (maior ganho de peso) e das possibilidades de melhor comercialização de animais para abate.

Pois bem, esta situação deve servir como alerta e como pressão para avançarmos os nossos trabalhos para qualificação e valorização da carne gaúcha. As discussões setoriais para este tema não devem ser esfriadas e os programas integrados para promoção e valorização de nosso produto idem. Tirando a questão das raças (que cada vez fica menos distante), temos ainda a explorar a engorda a pasto, a nossa cultura, tradição e história. São valores importantes e que podem ser capitalizados por muitos anos, porém não se sustentam sem a combinação de maior volume de abate gado jovem e bem terminado.

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